O GeForce Now é um serviço de streaming de jogos que permite aos jogadores acessar uma vasta biblioteca de títulos e jogá-los diretamente pela internet. Esse tipo de serviço já está presente no mercado há bastante tempo, com iniciativas que obtiveram sucesso e outras que acabaram fracassando, como foi o caso do Google Stadia.
Apesar de o serviço da NVIDIA estar se popularizando agora no Brasil, principalmente após a chegada de servidores locais por meio da Abya, já fui assinante do GeForce Now por um longo período no passado, antes mesmo de sua estreia oficial no país. Naquela época, mesmo com uma latência considerável, eu já considerava a qualidade do serviço impressionante, sobretudo no aspecto visual. Ainda assim, havia certas limitações em alguns pontos específicos, como a perceptível queda na qualidade da transmissão quando muitos efeitos apareciam simultaneamente na tela.
Com o passar do tempo, entretanto, o serviço foi evoluindo de forma consistente. Atualmente, o GeForce Now promete transmissões em resolução 4K e até 240 FPS. Embora o sonho de jogar sem a necessidade de um hardware físico dedicado já não pareça tão distante, permanece a dúvida: será que o GeForce Now consegue realmente entregar uma qualidade próxima da experiência nativa? Além disso, o modelo de assinatura oferecido compensa o investimento a longo prazo?
Confira agora a resposta em mais uma análise do Pizza Fria.
Uma excelente qualidade visual em 4K
Um dos aspectos que mais se destacou durante o meu período de testes com o GeForce Now Ultimate foi a qualidade visual do serviço. Os servidores são equipados com uma RTX 4080 e prometem alta fidelidade gráfica, com suporte a resoluções de até 4K. Entretanto, um ponto que considerei particularmente interessante é que foi possível executar jogos em resolução de até 5K. Não possuo um monitor compatível com essa resolução, mas, ainda assim, foi uma surpresa positiva constatar que o serviço permite configurações superiores às oficialmente divulgadas.
No que diz respeito à qualidade da transmissão, na maior parte do tempo o serviço realmente entrega um nível visual bastante elevado. Evidentemente, esse fator depende diretamente da velocidade da conexão com a internet e da taxa de bits selecionada para a reprodução. Durante os testes, utilizei uma conexão de 700 Mbps, que foi suficiente para rodar a maioria dos jogos sem qualquer tipo de problema.
Ainda assim, há situações em que a transmissão não se mantém totalmente impecável. Ao jogar The Witcher 3, por exemplo, assim como outros títulos com cenários densos em vegetação e efeitos volumétricos, como fumaça, torna-se perceptível o granulado característico da compressão de vídeo. Não chega a ser algo que comprometa a experiência, mas evidencia que, apesar da alta qualidade, a jogatina nativa ainda apresenta vantagens nesse aspecto.

Outro ponto observado ao longo da experiência é que, embora o serviço prometa suporte à resolução 4K, dependendo do jogo, pode ser mais vantajoso reduzir a resolução para 1440p. Isso ocorre porque, mesmo contando com uma RTX 4080 nos servidores, nem sempre é possível manter todos os títulos rodando na qualidade máxima nessa resolução mais alta. Por outro lado, jogar em resoluções superiores traz um benefício claro: a redução na percepção dos artefatos de compressão da transmissão, mencionados anteriormente, o que contribui para uma imagem mais limpa e consistente.
Alto desempenho até 240 FPS
Outra novidade que chegou ao GeForce Now é a possibilidade de jogar em até 240 FPS. Essa opção é claramente voltada para jogos competitivos, já que, para atingir taxas de quadros tão elevadas, é necessário abrir mão de alguns aspectos visuais. Por esse motivo, o serviço limita os 240 FPS à resolução de 1080p. Essa restrição acaba impactando a qualidade da transmissão, tornando os artefatos de compressão mais visíveis durante a jogatina. Em contrapartida, o aumento expressivo no framerate faz com que a latência se torne praticamente imperceptível, configurando o cenário ideal para jogadores que priorizam desempenho e competitividade.
Além disso, vale destacar que o serviço oferece suporte à tecnologia G-SYNC em monitores com VRR. Esse foi o meu caso e, aliado à tecnologia NVIDIA Reflex, a resposta aos comandos se mostrou ainda mais precisa, com uma sensação de fluidez elevada e sem qualquer atraso perceptível.

O grande teste, no entanto, era verificar se a experiência realmente se aproximaria da jogatina nativa. Para isso, testei Marvel Rivals com as configurações gráficas no alto e o framerate praticamente travado em 240 FPS. Posso afirmar que, nesse cenário, é difícil perceber que o jogo está sendo executado via streaming. A latência se manteve em um nível excelente, resultando em uma experiência bastante satisfatória. Assim, caso o jogador não seja extremamente sensível a um input lag mínimo, diria que a experiência oferecida pelo GeForce Now é muito competente.
Esqueça frame generation
Uma das tecnologias mais recentes de destaque da NVIDIA é o Frame Generation, que permite aumentar a fluidez da imagem ao custo de um acréscimo na latência dos comandos. Apenas por esse aspecto, já fica evidente que utilizar o FG em conjunto com o GeForce Now pode gerar problemas quando o assunto é responsividade. Durante meus testes, em títulos como The Witcher 3, Cyberpunk 2077 e, principalmente, Clair Obscure: Expedition 33, o uso do Frame Generation se mostrou uma verdadeira receita para o desastre. A sensação de atraso nos comandos foi tão acentuada que, em alguns momentos, a experiência beirou o injogável.

Felizmente, na maioria dos jogos, não senti qualquer necessidade real de recorrer a essa tecnologia. É verdade que, em alguns títulos, pode ser necessário abrir mão de um pouco da qualidade gráfica, especialmente para quem busca jogar em resolução 4K. Ainda assim, com o uso do DLSS, já é possível alcançar taxas de quadros elevadas com relativa facilidade, sem comprometer de forma significativa a experiência.
E, por falar em latência, de maneira geral ela se mostrou bastante satisfatória no GeForce Now, sobretudo quando o jogo opera acima dos 100 FPS. Nessas condições, a sensação de input lag se torna praticamente imperceptível. Por isso, recomendo que os jogadores priorizem sempre as maiores taxas de quadros possíveis, já que esse fator é determinante para garantir uma experiência mais fluida e agradável ao utilizar o serviço.
Uma biblioteca vasta, mas que tem suas limitações
Outro fator que também exige atenção ao assinar o GeForce Now é que, para jogar, o título precisa estar disponível no catálogo do serviço e, além disso, o jogador deve já possuir o game adquirido em uma das lojas compatíveis, como Steam ou Epic Games Store, por exemplo. Embora a plataforma ofereça suporte a mais de 2.200 jogos, esse modelo acaba tornando o serviço menos acessível quando comparado a outras opções do mercado.
Um bom exemplo é o Xbox Cloud Gaming (xCloud), que permite a transmissão em nuvem dos jogos disponíveis no catálogo do Game Pass, sem a necessidade de compra individual de cada título. Essa diferença de abordagem impacta diretamente a percepção de custo-benefício, especialmente para jogadores que ainda não possuem uma biblioteca digital extensa.
O Geforce Now não é para todo mundo
Agora é preciso abordar o aspecto mais crítico do GeForce Now: o preço e o sistema de horas de uso. O GeForce Now Ultimate é dividido em três tiers. O plano Ultimate oferece até 50 horas mensais, com sessões de até oito horas, ao custo de R$ 129,90 por mês. Já o Ultimate Pro amplia o limite para até 100 horas mensais, com valor de R$ 233,90. Por fim, o Ultimate Ultra promete a experiência definitiva do serviço, com 200h custando R$ 443,90 mensais. É importante destacar que, ao esgotar o limite de horas incluídas no plano, os jogadores têm a opção de adquirir horas adicionais para continuar utilizando o serviço.
Diante dos valores elevados dos planos mais avançados do GeForce Now, torna-se difícil recomendá-lo de forma ampla para todos os perfis de jogadores. Para fãs de RPGs longos ou para quem costuma passar várias horas por dia jogando, o limite mensal de horas tende a se esgotar rapidamente, o que obriga a compra de tempo extra. Esse fator pode elevar consideravelmente o custo final do serviço, levando-o a um patamar que, para muitos usuários, deixa de ser financeiramente atrativo.
Por outro lado, para jogadores que não costumam passar muitas horas jogando diariamente e desejam apenas aproveitar algumas sessões pontuais sem grandes preocupações, o serviço pode funcionar de maneira bastante satisfatória. Além disso, há um perfil específico no qual acredito que o GeForce Now se encaixa ainda melhor: o do usuário ocasional. Imagine, por exemplo, o lançamento de um jogo muito aguardado, que o jogador deseja experimentar com qualidade máxima, mas cujo PC não oferece desempenho suficiente para isso.
Nesse cenário, a assinatura do serviço por um único mês permite aproveitar a experiência completa sem a necessidade de investir em hardware novo. Posteriormente, esse usuário pode retornar ao GeForce Now apenas em períodos pontuais, sempre que um novo título de interesse entrar no catálogo.
Vale a pena assinar o Geforce Now?
O GeForce Now é um serviço que evoluiu significativamente nos últimos tempos, passando a oferecer uma qualidade de imagem em 4K que, em muitos momentos, torna difícil perceber que a experiência não está sendo realizada de forma nativa. Ainda existem alguns problemas perceptíveis relacionados a artefatos de compressão, sobretudo em cenas com grande quantidade de efeitos na tela, mas, de modo geral, o serviço entrega um nível visual bastante elevado. A latência também é um ponto que merece destaque positivo, especialmente ao jogar com taxas de quadros altas e, claro, evitando o uso do Frame Generation.
Por fim, o principal ponto negativo do serviço está, de fato, em seu modelo de assinatura baseado em horas mensais, o que exige que o jogador avalie com cuidado se o investimento faz sentido para o seu perfil de uso. Em contrapartida, para aqueles que optarem pela assinatura, o GeForce Now cumpre o que promete, entregando uma experiência de alta qualidade.
*Review elaborada no PC, com código fornecido pela NVIDIA.
GeForce Now Ultimate
BRL 129,90Prós
- Excelente qualidade de transmissão que chega até 4K
- Boa latência de comandos
- Suporte a G-SYNC
- Mais de 2.200 jogos no catálogo
Contras
- Não funciona bem em conjunto com o Frame Generation
- O preço por horas pode se tornar inviável dependendo do estilo de jogador
- Uma biblioteca vasta, mas que exige que os jogos sejam comprados