Nova Antarctica | Review

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Em 2900, o planeta Terra é muito diferente do que conhecemos hoje. Crises climáticas cada vez maiores e mais devastadoras mudaram o que chamamos de lar. Um frio interminável toma conta (o que seria um sonho para muitos redatores e leitores do Pizza aqui no Brasil, tenho certeza) e cabe a nós encontrarmos um sinal de esperança em Nova Antarctica.

Por isso, pegue o seu casaco mais quente e nos acompanhe em mais uma review aqui no Pizza Fria!

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História

No século de 2900, a Terra jaz como um mundo devastado por vírus mortais, crises alimentares e guerras intermináveis, restando apenas uma fração da humanidade em um cenário quase inabitável. Em meio ao caos, um sinal enigmático vindo da Antártida acende um último fio de esperança, e cabe a nós chegarmos até o Polo Sul e descobrirmos o que nos espera para o futuro, ou o que resta dele. 

A história é simples e essa é toda a premissa de Nova Antarctica. No entanto, é possível encontrar pelo mapa fragmentos que mostram um pouco mais das guerras que ajudaram a transformar o mundo em um lugar quase inóspito.

Gameplay

O ponto principal de Nova Antarctica, e que não fica explícito antes de adquiri-lo, é: este jogo não te oferece saves ou checkpoints. Pense nele como um Getting Over It with Bennett Foddy mais elaborado, onde a sua morte não marca o seu progresso em nenhum momento – você vai direto para o menu inicial. E ponto.

Para um título com uma proposta tão sofisticada e recursos que só são aprimorados durante o mid e late game, punir o jogador com essa mecânica de perder tudo ao morrer é, no mínimo, uma escolha equivocada. Forçar o jogador a recomeçar desde o início funciona melhor para jogos mais simples, baseados em habilidades puramente mecânicas e que não oferecem conteúdos elaborados para serem coletados.

Nova Antarctica
Acontece muita coisa para um modo de morte permanente… (Imagem: Reprodução)

Digo isso pois Nova Antarctica é um jogo de muitos recursos, que são entregues ao jogador de forma muito rápida e exigem que sejam absorvidos na mesma velocidade. Lembre-se, você está em um ambiente de temperaturas hostis. E também vai enfrentar uma tempestade de neve. Além de uma nuvem radioativa. Dentre outras intempéries, que acontecem de maneira aleatória entre 30 a 120 segundos, e que vão drenar toda a vida do personagem. 

Durante esse tempo, você deve minerar recursos, e destes recursos deve montar construções ou itens que recuperam vida e stamina, mas se no meio disso tudo você acabar morrendo? É uma pena. Volte ao menu inicial e seja forçado a passar por todas as fases tutoriais mais uma vez. É frustrante e cansativo, especialmente contra climas extremamente hostis como o de radiação, que acaba com toda a vida do personagem em, literalmente, segundos. E não há uma forma exata de se proteger contra.

Nova Antarctica
Tentando construir enquanto corremos contra o tempo! (Imagem: Reprodução)

Adicione também uma camada extra de dificuldade com os controles, já que movimentar o personagem é outro sofrimento, pois ele é bastante pesado, e uma sensação de que ele realmente anda só acontece quando estamos correndo – e lá se vai mais stamina. Stamina, que, novamente, também é necessária para as construções, e não se recupera sozinha. É necessário mais crafting, que demanda mais recursos, que, por sua vez, também demanda o uso da stamina para minera-los. Até você perceber tudo isso, o personagem já foi para o beleléu mais uma vez e você está, novamente, de volta no menu inicial. Perceba a bola de neve que se criou. Comece tudo de novo.

Os menus também são um desafio à parte: Nova Antarctica oferece dois botões para realizar a mesma ação de voltar para o menu anterior (?) mas alternar entre os menus de crafting de construções e itens é confusa, é necessário selecionar um objeto, construí-lo, adicionar ao menu de crafting e depois ao uso rápido para consumir. E se você não conseguir fazer tudo isso em tempo hábil… acho que já deu pra entender o que acontece. Menu. Inicial.

Nova Antarctica
Na falta de um, leve dois botões para retornar ao mesmo lugar. (Imagem: Reprodução)

Chegar até o Polo Sul realmente parece uma tarefa quase hercúlea quando Nova Antarctica pune o jogador até quando ele deveria ser recompensado.

Gráficos e Desempenho

Os gráficos são simples, mas com aquele charme indie que todos nós amamos. Nova Antarctica não deve ser um problema em nenhuma máquina, nem mesmo as mais simples, pois é um jogo surpreendentemente leve em tamanho e performance.

Extras

Nova Antarctica, para a minha surpresa, é traduzido para o nosso bom português. No entanto, algumas construções são confusas e, por algumas vezes, se repetem. Em alguns momentos o texto está completamente em inglês mesmo com o resto do jogo em português. É uma atitude louvável tentar trazer o jogo para o nosso idioma, mas vale um pouco de refinamento.

Nova Antarctica
Ideia louvável, mas… (Imagem: Reprodução)

Vale a pena jogar Nova Antarctica?

A premissa do jogo me empolgou, de verdade: atravessar por um mapa com a possibilidade de buscar recursos e fazer construções para sobreviver é divertidíssimo… quando bem executado. Infelizmente, não é o caso em Nova Antarctica. O modo de morte permanente é o que provavelmente mais machuca na experiência do jogo, já que as mecânicas poderiam ser masterizadas se o jogador tivesse, literalmente, tempo para isso. 

Se você gosta de um Desafio (com D maiúsculo), dos mais difíceis, vale a pena conferir. Mas se prefere jogos de sobrevivência menos punitivos, talvez seja uma boa pular Nova Antarctica.

Desenvolvido pelo estúdio japonês RexLabo, Nova Antarctica será lançado para PC, via Steam, no dia 29 de janeiro de 2026.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela PARCO GAMES.

Nova Antarctica

4.9

História

5.0/10

Gameplay

4.0/10

Gráficos

6.0/10

Extras

4.5/10

Prós

  • Gráficos com o toque charmoso dos jogos indie
  • Premissa interessante

Contras

  • Extremamente punitivo com o modo de morte permamente
  • Tradução em português merece um pouco mais de atenção

Flávia "peachblues"

A publicidade a escolheu, mas ela não escolheu a publicidade. Preferiu os jogos, principalmente aqueles que enchem os olhos e divertem por horas a fio. Gosta muito de piadinhas que ninguém entende e é uma das poucas donas de um PS Vita no Brasil, de acordo com as próprias estatísticas. Atualmente joga no que as pessoas ao seu redor chamam de "PC da NASA" mas nenhum foguete foi lançado do seu quintal até o momento.