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Norse: Oath of Blood | Review

Norse: Oath of Blood, jogo da Tripwire Presents e da Arctic Hazard, lançado para PC via SteamEpic Games Store e GOG.com, e que também chegará para para PlayStation 5 e Xbox Series X|S no outono deste ano, nos leva para o mundo dos vikings, em que tudo acaba acontecendo através de traições, conflitos, presságios e muita violência. A sua história, no entanto, é contada para além desses aspectos, trazendo questões familiares, culturais e até algumas lendas nórdicas.

Resumindo o início da trama, Norse: Oath of Blood é um RPG tático em turnos mesclado com um pouco de gerenciamento, ambientado em um cenário inspirado na mitologia e história nórdica. Você assume o papel dos irmãos Gripsson, jovens guerreiros cujas vidas são destroçadas após a queda de sua família e de seu clã. Forçados ao exílio, a dupla embarca em uma jornada que envolve reconstrução, liderança, vingança e sobrevivência. Mas será que essa é uma trama daquelas que vale a pena acompanhar, ou o jogo é mais um RPG de turno em meio a tantos lançamentos? Vamos descobrir nesta análise do Pizza Fria!

Uma história de sangue e vingança

A narrativa de Norse: Oath of Blood é, sem dúvida alguma, um dos pilares mais fortes aqui. Não por reinventar o gênero, afinal, sua premissa é extremamente básica é familiar. Porém, é mais pela forma como constrói seus personagens, seus conflitos e seu mundo. Por exemplo, Gunnar não é um herói clássico. Ele é um sobrevivente. Sua jornada não é motivada somente pela glória, mas pela perda familiar. Ao lado de sua irmã Sigrid e de outros sobreviventes, ele busca reconstruir o que foi destruído e, eventualmente, confrontar o responsável pela queda de sua família.

Um aspecto interessante deste jogo, é que ele tem seu roteiro escrito pelo romancista Giles Kristian, algo que é percebido na maturidade e consistência da narrativa. Os diálogos possuem certo peso emocional e evitam cair em caricaturas. Os personagens soam como personas realmente traumatizadas, não sendo movidos apenas pelo caos e a vingança. Com isso, há momentos de vulnerabilidade, dúvida e introspecção que ajudam a humanizar o jogo, criando uma conexão genuína entre nós e os personagens, algo bem potente.

Norse Oath of Blood análise review
Espere o caos durante diversas batalhas sangrentas. (Imagem: Divulgação)

As cutscenes são frequentes e, felizmente, bem executadas. A atuação de voz é bacana, e a direção consegue transmitir emoções com eficácia. Pequenos detalhes como pausas na fala ou expressões faciais sutis, contribuem para a imersão. Esse cuidado narrativo sustenta o jogo mesmo quando outros aspectos começam a falhar, ainda que alguns bugs visuais aconteçam eventualmente nestas cenas.

Combate tático não inova, mas agrada

No campo de batalha, a coisa em Norse: Oath of Blood segue uma estrutura clássica de RPG tático em turnos, sem muita magia. Cada personagem possui pontos de ação que determinam quantas ações podem ser realizadas por turno, seja atacando, se movendo ou usando habilidades. A questão da posição é extremamente importante. Ou seja, terreno elevado, obstáculos e posicionamento estratégico podem determinar o resultado de um combate. Com isso, ações como empurrar inimigos, criar flancos ou proteger aliados são decisões que possuem consequências reais.

Já as habilidades possuem utilidade clara e podem ser combinadas de forma criativa. Um guerreiro pode empurrar um inimigo para perto de um aliado arqueiro, que então executa um ataque crítico. Esses momentos criam uma sensação genuína de estratégia e recompensa únicos. Mesmo sem trazer novidades para o gênero, tudo funciona como deve ser, a não ser quando ele resolve apresentar problemas técnicos. Por exemplo, existem algumas situações em que ataques com 100% de chance de acerto simplesmente erram. Por fim, alguns personagens continuam existindo, mesmo que seus assets sumam da tela. Doideira…

Norse Oath of Blood análise review
Cada turno, uma possibilidade diferente (ou um bug, dependendo de sua sorte). (Imagem: Divulgação)

Por conta disso, Norse: Oath of Blood traz problemas que não são somente visuais. Eles infelizmente afetam diretamente a estratégia. Quando o jogo apresenta informações claras, o que esperamos é que essas informações sejam confiáveis. Quando não são, a sensação de controle é comprometida e, convenhamos: Isso quebra a confiança entre o jogador e o sistema, sobretudo em um RPG tático, confiança é tudo.

Gerenciamento que traz novos significados ao jogo

Fora do combate, Norse: Oath of Blood apresenta um aspecto diferenciado, trazendo um sistema robusto de gerenciamento de assentamento. Gunnar e Sigrid precisam reconstruir seu clã, e isso envolve recrutar moradores, construir estruturas e administrar recursos. Essa camada estratégica adiciona profundidade significativa à experiência, dando algo a mais ao gênero de RPG em turnos.

Com isso, coisas como construir novas casas, oficinas e estruturas desbloqueia novas opções e fortalece sua comunidade. Cada decisão tem impacto no crescimento do assentamento e nas opções disponíveis para o jogador. Esse sistema é surpreendentemente envolvente. Ver o assentamento crescer cria uma sensação de progresso tangível para o jogo que chega a nos animar. Com isso, essas tarefas não são vagas, tendo significado para os personagens e toda a narrativa. Isso fica ainda mais evidente através das interações com moradores, eventos na história e decisões que afetam todo o desenvolvimento da comunidade.

Norse Oath of Blood análise review
Essa parte de gerenciamento é legal demais, e dá mais significado ao jogo. (Imagem: Divulgação)

Um mundo bonito, mas com suas limitações

Visualmente, Norse: Oath of Blood apresenta uma direção artística consistente e atmosférica, apresentando paisagens são densas e evocativas. Florestas, montanhas e assentamentos transmitem a sensação de um mundo hostil e implacável. Já os modelos de personagens, especialmente durante as cutscenes, apresentam nível satisfatório de detalhe, trazendo expressões faciais que ajudam a transmitir emoções e reforçam o impacto narrativo. Por fim, a iluminação é um destaque, com o uso de sombras e luz natural contribuindo para a imersão.

Já o design sonoro também merece reconhecimento. A trilha sonora complementa o tom melancólico da narrativa. Efeitos sonoros e todo o trabalho de dublabem são muito convincentes e ajudam a dar peso às ações.

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Os gráficos de Norse: Oath of Blood são bem agradáveis, trazendo um bocado de sanguinolência. (Imagem: Divulgação)

No entanto, essa parte mais técnica é um pouco inconsistente. Há momentos em que assets desaparecem temporariamente ou até o final das batalhas. Ou seja, você ataca inimigos invisíveis, pois personagens e até objetos podem não carregar corretamente. Essas falhas quebram um bocadinho da imersão e reforçam a sensação de que Norse: Oath of Blood precisa de uns ajustes. Mas, francamente? Isso não tira o impacto positivo do jogo, apenas frustra. Já não posso dizer isso dos bugs nos saves automáticos, que dão o aviso na tela mas, no final, não estão disponíveis para carregamento. Isso é terrível!

Performance e estabilidade

Se existe um aspecto que expõe um pouco mais como Norse: Oath of Blood está, é sua performance. Não necessariamente porque seja injogável, mas porque sua estabilidade parece oscilar em alguns momentos, trazendo em determinadas partes uma solidez impressionante e outras que revelam limitações técnicas que podem frustrar os usuários que contam com hardware mais limitado.

Mas, no geral, a impressão que fiquei é a de que Norse: Oath of Blood se mostrou consistente durante a maior parte do tempo, mesmo sendo jogado em 1440p, com presets gráficos altos, a taxa de quadros segurou bem durante boa parte do tempo, especialmente durante combates, que são, ironicamente, as partes mais confiáveis em termos de desempenho bruto. Isso ocorre porque os mapas de batalha são mais controlados, com menos elementos dinâmicos carregando simultaneamente. No entanto, é fora desses momentos que surgem as travadinhas, tipo nas cutscenes… isso podia melhorar.

Norse Oath of Blood análise review
Os golpes finais tem animações razoáveis, mas são bem legais. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Norse: Oath of Blood?

Norse: Oath of Blood é um jogo excelente, mas marcado por uma sensação de potencial não totalmente realizado… pelo menos por agora. Ao longo da campanha, fica evidente que existe algo de muito sólido em sua estrutura. A narrativa funciona muito bem, o combate é envolvente e o mundo que você reconstrói transmite uma sensação genuína de progresso e propósito. Há uma identidade clara, sustentada por personagens bem escritos, diálogos consistentes e uma atmosfera que consegue equilibrar melancolia, violência e esperança. Essa é a diferença de um jogo que tem um bom escritor trabalhando.

O sistema tático do RPG entrega decisões significativas, recompensa o posicionamento inteligente e mantém o jogador constantemente engajado. O gerenciamento do assentamento adiciona uma camada estratégica importante e que tem razão de estar ali, reforçando a sensação de que cada vitória e cada recurso adquirido possuem impacto real. Ao mesmo tempo, o cuidado com a apresentação, especialmente nas cutscenes e na trilha sonora, ajuda a sustentar o peso emocional da jornada de Gunnar, Sigrid e o clã.

No entanto, os problemas técnicos mencionados aqui não atrapalham tanto, mas são difíceis de ignorar. Bugs ocasionais, assets que desaparecem, falhas na interface e inconsistências visuais interrompem a imersão com mais frequência do que deveriam. Nada disso torna o jogo injogável, mas reforça constantemente a percepção de que ele ainda precisa de refinamento técnico.

Ainda assim, o que existe aqui é uma experiência que vale a pena ser vivida. Mesmo com seus vacilos, Norse: Oath of Blood consegue envolver, manter o interesse e entregar momentos genuinamente memoráveis, custando menos de R$ 100,00 reais e com localização de texto em português brasileiro. Enfim… existe um jogo muito bom sob essas imperfeições, que, com algumas atualizações e correções, tem tudo para se tornar algo ainda mais marcante. Contudo, ainda assim, o indico aos fãs do gênero, aos novatos e para aqueles que sentem saudade da série Vikings.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Tripwire Presents.

Norse: Oath of Blood

R$ 84,14
8.2

História

8.8/10

Jogabilidade

8.6/10

Gráficos e sons

8.8/10

Extras

6.4/10

Prós

  • Narrativa envolvente e bem escrita, que nos prende até o final
  • Combate tático não inventa nada novo, mas é bem sólido e estratégico
  • Mundo interessante e com forte senso de identidade
  • Sistema de gerenciamento de assentamento é um diferencial
  • Progressão satisfatória e recompensadora

Contras

  • Alguns bugs ocorrem durante combates e exploração
  • Assets que desaparecem ou carregam incorretamente
  • Pequenas quedas de desempenho em áreas específicas

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.