O mais puro suco de videogame é um trem que você não vai querer perder.
Se não me falha a memória, tomei conhecimento de Denshattack! na gamescom 2025. Seus belos visuais em cel-shading já capturaram a minha curiosidade, mas foi o conceito ainda mais diferente que prendeu minha atenção: controle trens numa velocidade alucinante, troque de um trilho a outro com saltos e faça manobras como se a locomotiva fosse um skate de dedo.
E foi exatamente essa loucura aí do trailer que eu joguei na prévia, durante mais ou menos uma hora. Foram os três primeiros níveis da campanha, um parque extra feito para brincar com manobras e seus múltiplos combos e caminhos, novas locomotivas e algumas repetições na tentativa de conseguir o ouro em algum dos mapas. Foi fechar o jogo e pensar: quero a versão completa de Denshattack! pra hoje!
Desenvolvido por Undercoders e publicado pela Fireshine Games, o título tem lançamento previsto para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S no próximo trimestre. Mas te conto antes a minha experiência nessa preview do Pizza Fria!

Visuais, sons e controles eletrizantes
A primeira impressão de Denshattack! é forte: em movimento, pode parecer um caos; a perspectiva valoriza a profundidade do cenário em túnel, o que alonga os trilhos, a locomotiva e, de quebra, aumenta a sensação insana de velocidade; a estética traz um forte filtro cel-shading com bordas pretas grossas e cores vivas – é um anime jogável; e tudo em movimento sempre, não só o trem, mas também os efeitos climáticos assim como todo o cenário.
Passo pelo menu (e sua ótima direção de arte) e começo a campanha. Uma animação simples brinca como ninguém quer se aprofundar na história. Mesmo assim, apresenta uma premissa simples: com a mudança climática, a civilização vive em cidades sob enormes domos enquanto aqueles que se aventuram no exterior, como nas abandonadas linhas de trem do Japão, são marginalizados de alguma forma. Essa é a personagem Emi, uma entregadora por locomotiva.

O tutorial começa e em poucos comandos muito responsivos já percebo que Denshattack! vai ser um desses jogos que quero rejogar para dominar os controles. No trilho, você dá a partida na locomotiva… Nas curvas, deve reduzir a velocidade com o freio, no gatilho direito – aparece um medidor de equilíbrio que rapidamente deve ser solto para ganhar um turbo momentâneo. Errar a precisão na barra significa ver o trem ratear.
E os comandos vão além: segure o botão de salto para acumular altura e, uma vez no ar, girar o analógico direito em diferentes formas faz manobras similares àquelas de skates, como ollies, giros em 180º, 360º e por aí vai. Aumente a pontuação com mais combos e manuais de vagões… é a reencarnação de Tony Hawk’s Pro Skater com trens.

Ainda nos controles, salte sempre que os trilhos estiverem quebrados ou quando houver alguma interdição, como pedras rolantes. Apareceu uma placa gigante enquanto você estava no ar? Aperte os dois gatilhos para que o trem se jogue contra o solo. Faltou o mais básico: basta tocar para um lado ou para outro e alternar entre trilhos… Quando eles existirem, claro. Às vezes, fazemos corrimões ou até half-pipes.
Funciona? Funciona demais! Absolute videogame.

Progressão e rejogabilidade
Ao chegar no fim da fase, recebi bronze. Percebi os critérios de pontuação: termine abaixo de determinado tempo para a prata, para o ouro; termine sem colisões; recolha objetos escondidos; toque a buzina e cause um efeito, como espantar morcegos no túnel; e por aí vai. O que eu queria? Fiquei na dúvida entre avançar e repetir a fase. Queria avançar, mas também queria melhorar. Segui.
O cuidado com cada ponto do cenário é incrível – aposto que foram meticulosamente planejados. A jogabilidade também traz surpresas ambientais: em um determinado momento, minha singela locomotiva sai dos trilhos, pousa sobre uma roda-gigante e, após a breve cinemática, sou eu quem controla o vagão sobre a roda na tentativa de destruir antenas parabólicas. Quê? É! Adrenalina, sentido algum, diversão plena.
Controles precisos e visuais alucinantes – segundo o diretor do estúdio David Jaumandrau, inspirados em Jet Set Radio e animes diversos – contidos em uma ideia louca.

Trilha sonora
Mas e a trilha sonora? Pois saiba que quem assina a música é ninguém menos que Tee Lopes, o compositor por trás de Sonic Mania, Streets of Rage 4, Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, Penny’s Big Breakaway, entre outros. E eu queria ter mais categoria musical para saber definir com precisão o gênero: a música é feroz como o jogo, com temas que parecem ter saído dos anos 2000 e ainda assim muito contemporâneos.
Aliás, difícil mesmo é dizer quais estilos a trilha sonora não incorpora. Denshattack! tem vida própria em todas as frentes principais para prender qualquer jogador – visual, som e interação (ou jogabilidade).
Parte da minha jogatina está em vídeo, abaixo (infelizmente a transmissão falhou em algum momento depois de 30 minutos). Mas repeti fases, busquei o ouro, abri novas locomotivas. Deu pra perceber que cada uma tem propriedades diferentes – velocidade, altura do salto, bônus de manobras e diversos outros atributos.
Quando a demo de fato acabou, pensei: “Não! Putz!” E corri para buscar quando o jogo sai oficialmente.
O que esperar de Denshattack!?
Eu, neste exato momento, espero pelo lançamento prometido para o outono brasileiro.
Mas falando sério: os criadores prometem uma campanha de 8 a 10 horas para quem quiser fechar Denshattack!. Contudo, quem for buscar o ouro e melhores tempos, certamente vai ter mais o que fazer. Espere velocidade insana com trens que agem como skatinhos de dedo e cruzam cenários diferentíssimos com ritmo frenético de uma abertura de anime. Como a abertura da primeira temporada de Attack on Titan, mas em neon e caneta hidrocor.
Tudo isso e joguei uma versão não finalizada. Com o lançamento, o título receberá textos em português do Brasil e mais efeitos sonoros, além de um melhor acabamento. Outra coisa que espero é o lançamento de Denshattack! para Nintendo Switch 2, ainda não confirmado – seria sucesso demais.
Caso seja fã de qualquer jogo Tony Hawk, Skate, OlliOlli World… Caso sinta saudade da imensa criatividade louca e sem compromisso dos anos 90 e 2000 nos jogos… Coloque Denshattack! na lista de desejos (Steam, Xbox com PlayAnywhere, PlayStation) e experimente a demonstração disponível ao público agora.
Se Denshattack! vier como a versão de demonstração, vem coisa boa por aí. Certamente tem tudo para ser um dos favoritos do ano.
*Preview elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Fireshine Games.