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Carmageddon: Rogue Shift | Review

Existem jogos que parecem surgir como ecos de outra época. Para mim, a franquia Carmageddon meio que traz essa sensação, já que joguei os dois primeiros títulos, produzidos lá nos cada vez mais distantes anos 90. Agora, imagine só: praticamente 30 anos depois, chega até a atual geração Carmageddon: Rogue Shift, uma espécie de reboot da franquia, desenvolvido pela 34BigThings, que será lançado para PC via Steam e Epic Games Store, PlayStation 5, Xbox Series S|X e Nintendo Switch 2.

Com gráficos atualizados, Carmageddon: Rogue Shift inicialmente traz tudo o que os fãs das antigas esperam: carros, pistas, explosões e muito caos. Porém, basta a gente começar a dar algumas voltas para perceber que há algo diferente ali, algo que vai além da simples nostalgia. Mas será que a ideia ainda cola atualmente, ou essa foi apenas mais uma tentativa da indústria de apelar para a nostalgia? Saberemos isso e muito mais nesta review. Confira!

Oi, sumido…

Durante os anos 1990 e início dos 2000, jogos neste estilo, que traziam combate veicular, alta velocidade e muita destruição (às vezes até demais), eram presença constante nos PCs e videogames do público gamer. Séries como Twisted Metal, Burnout e o próprio Carmageddon ajudaram a definir uma era em que velocidade e destruição caminhavam juntas. Particularmente, eu amava: ali estava todo o caos que eu queria. Aliás, poderia falar sobre jogos deste gênero por horas, mas fica para outra hora…

Retornando, com o passar dos anos, este gênero de corridas de destruição foi perdendo espaço para simuladores realistas e corridas mais técnicas (e eu sou uma prova viva disso). Porém, Carmageddon: Rogue Shift surge justamente como uma tentativa de reacender essa chama, mas sem simplesmente repetir o passado. Afinal de contas, se olharmos o jogo do passado, ele não cairia nada bem na atualidade…

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Bem-vindos ao verdadeiro caos! (Imagem: Divulgação)

Com isso, a grande sacada deste novo jogo está em misturar o combate caótico com elementos de roguelite, transformando cada sequência de corridas em uma jornada única, cheia de decisões que impactam diretamente o sucesso ou o fracasso das nossas runs. Ou seja, em Carmageddon: Rogue Shift não existe campanha linear tradicional. Cada corrida (no sentido dos roguelites e dos jogos de corrida) é uma espécie de torneio mortal, onde você percorre eventos, escolhe rotas em um mapa estratégico e enfrenta chefes cada vez mais perigosos. Morreu? Volte ao início, mas com upgrades, é claro.

O mapa roguelite e o peso das escolhas

Entre uma corrida e outra, Carmageddon: Rogue Shift apresenta um mapa no estilo roguelite, onde você escolhe qual rota seguir até o confronto com o chefe da fase. Com isso, cada caminho oferece eventos e opções como corridas padrão, desafios de elite, lojas para melhorar armas e habilidades, ou atalhos aparentemente seguros. Com isso, precisamos calcular o que realmente precisamos: vale a pena arriscar uma corrida mais difícil para ganhar recompensas melhores? Ou é melhor jogar seguro e seguir por eventos mais simples?

Assim, como qualquer derrota encerra imediatamente a run, cada decisão carrega um peso enorme em Carmageddon: Rogue Shift. Em vários momentos, o jogo cria aquela tensão deliciosa em que você sabe que está apostando alto. Quando dá certo, a sensação é incrível, como é de se esperar. No entanto, quando dá errado… ai, ai… resta apenas assistir seu carro explodir e aceitar o fim de mais uma run.

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A cada nova run, o jogo nos traz novas possibilidades – e desafios! (Imagem: Divulgação)

Em cada veículo, uma nova possibilidade

Logo no início de cada tentativa, escolhemos um carro em sua garagem. Essa escolha faz muito mais diferença do que parece à primeira vista. Eu explico… cada veículo possui características únicas: alguns são rápidos e frágeis, ideais para quem prefere velocidade e manobras precisas. Outros são verdadeiros tanques sobre rodas, com alta resistência, maior poder de impacto e habilidades especiais focadas em sobrevivência.

Essa diversidade transforma completamente a abordagem de cada corrida em Carmageddon: Rogue Shift. Um carro pesado permite entrar em colisões sem medo, empurrando inimigos contra paredes e absorvendo danos. Já os modelos mais leves exigem reflexos rápidos, uso inteligente das armas e muito cuidado para não ser destruído em segundos. Com o tempo, novos veículos vão sendo desbloqueados, ampliando ainda mais as possibilidades estratégicas. É aquele tipo de sistema que incentiva experimentar sempre algo novo e que nos mantém interessados no jogo.

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Os carros do jogo são cheios de variação, mostrando personalidade! (Imagem: Divulgação)

Progressão, atualizações e economia do jogo

Durante cada run, podemos coletar duas moedas principais: créditos, usados em lojas durante a tentativa atual, e beatcoins, que servem para melhorias permanentes no mercado negro entre as runs. As lojas oferecem vantagens temporárias, como aumento de dano das armas, reparos no carro, melhorias defensivas e perks curiosos, como converter créditos em vida.

Já o mercado negro é onde a progressão real acontece. Lá é possível desbloquear novos veículos, armas adicionais, perks permanentes e melhorias que afetam todas as futuras tentativas. Essas melhorias ajudam a manter o jogo interessante mesmo após dezenas de corridas nas mesmas pistas. A sensação de evolução é constante, típica dos melhores roguelites. Particularmente, adorei essa novidade, sobretudo pelo nível de desafio apresentado. Em Carmageddon: Rogue Shift não há como reiniciar a corrida. Errou? Volte ao começo!

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Quanto mais guardamos dinheiro do jogo, melhores são as opções para recomeçar. (Imagem: Divulgação)

Nem tudo funciona perfeitamente aqui

Olha… apesar de toda a adrenalina e daquela pitada gostosa de nostalgia, nem tudo em Carmageddon: Rogue Shift é impecável. Cada pista pode apresentar condições climáticas diferentes, como chuva em estradas de terra, o que deixa o controle dos carros bem mais escorregadio. Em teoria, isso adiciona variedade. Na prática, pode ser meio estranho.

O sistema de controle não permite uma recuperação rápida quando o carro gira ou fica preso em algum elemento do cenário, algo que infelizmente acontece com mais frequência do que deveria. Em um jogo onde colisões fazem parte da essência, é estranho que se leve tanto tempo para voltar à pista após um erro. Porém, se você estiver no início da corrida, ele dá uma compensada nos adversários. Mas, mesmo assim, é meio frustrante. Isso fica ainda pior quando acontece perto do final de uma corrida… imagine só!

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Os carros ficam cada vez mais ferrados ao longo das corridas. (Imagem: Divulgação)

Os zumbis espalhados pelas pistas também variam: alguns explodem ao se aproximar, criando situações imprevisíveis e que funcionam como uma possível estratégia para vencer os inimigos. Mas, infelizmente, embora seja divertido atropelar hordas para ganhar créditos bônus, o tema pós-apocalíptico em si acaba sendo o aspecto menos marcante do jogo. Zumbis não estão muito na moda atualmente. Todavia, colocar humanos pelas ruas, como nos primeiros jogos, também não seria algo muito bem visto atualmente. Nesse ponto, dá pra ver que foi o que deu pra fazer, e está tudo bem.

Na parte técnica, também temos alguns problemas em Carmageddon: Rogue Shift. A inteligência artificial dos adversários (sem contar os chefes, que são o ápice dos desafios do jogo) deixa bastante a desejar. Em várias ocasiões, eles se jogam contra paredes sem motivo, com eventos terminando de forma bem esquisita. Há também situações frustrantes em que a IA parece mais interessada em te sabotar do que em vencer a corrida, jogando seu próprio carro contra o seu apenas para te tirar da pista.

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O jogo apresenta seus problemas, mas tem lá seu charme. (Imagem: Divulgação)

Vale a pena jogar Carmageddon: Rogue Shift?

Mesmo com os problemas mencionados, há algo inegavelmente viciante em Carmageddon: Rogue Shift: a combinação de corridas explosivas, progressão constante e decisões arriscadas cria aquele ciclo clássico de roguelite em que você sempre quer tentar mais uma vez. No jogo, cada derrota parece injusta, mas logo nos deixa com vontade de recomeçar com um carro diferente, testar novos perks e buscar uma rota melhor no mapa. É o tipo de jogo que prende por horas sem você perceber o tempo passar.

Sendo assim, posso afirmar que Carmageddon: Rogue Shift não é lá o título em que o grande renascimento perfeito dos jogos de combate veicular ia acontecer. Aliás, o jogo nem se propõe a isso, chegando de maneira bem tímida. Com isso, ele pega a essência caótica do gênero e a mistura com uma estrutura moderna de roguelite, criando algo familiar e ao mesmo tempo novo, sem ficar preso naquela fissura da nostalgia observada em diversos remakes e remasterizações.

As corridas são empolgantes, os veículos têm personalidade, os sistemas de progressão funcionam muito bem e os chefes trazem variedade real ao ritmo das partidas. Por outro lado, a IA fraca e a falta de polimento técnico impedem que o jogo alcance todo seu potencial. Felizmente, isso até pode ser corrigido. Mas será que vão mudar algo?

Ainda assim, há uma energia irresistível em cada explosão, em cada ultrapassagem violenta e em cada decisão arriscada no mapa. O jogo até trupica em alguns momentos, mas nunca deixa de ser divertido. Para fãs de corridas arcade, destruição e experiências que misturam habilidade com estratégia, Carmageddon: Rogue Shift é uma surpresa gostosa. Não é a volta definitiva do gênero aos holofotes, mas prova que ainda há muito combustível no tanque dos jogos de combate veicular.

E, às vezes, tudo o que precisamos é de mais uma corrida caótica para lembrar por que esse tipo de jogo era tão especial e nos distraía por horas lá no passado…

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela 34BigThings.

Carmageddon: Rogue Shift

R$ 229,90
7.9

História

7.4/10

Jogabilidade

8.6/10

Gráficos e sons

8.0/10

Extras

7.6/10

Prós

  • Combate veicular intenso e divertido
  • Estrutura roguelite traz mais desafios
  • Chefes criativos que mudam o ritmo e trazem mais dificuldade
  • Sistema de progressão constante

Contras

  • Recuperação lenta após colisões quebra um pouco a imersão
  • Inteligência artificial em alguns momentos é bem fraca
  • Cenário pós-apocalíptico poderia ser melhor

Álvaro Saluan

Completamente apaixonado por videogames, escreve e pesquisa sobre o tema há uns bons anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte. Vai dos jogos de esporte aos RPGs tranquilamente, admirando cada experiência. Seu maior ídolo dos jogos é Hideo Kojima.