Homura Hime | Review
Após a forte e positiva impressão que a demo de Homura Hime deixou em mim no fim de 2025, o jogo rapidamente entrou para a lista dos meus títulos de ação mais aguardados do ano. Mal podia esperar para aproveitar ainda mais a movimentação, os combos e os chefes, que já se mostravam fluidos e muito bem animados na demonstração.
Felizmente, posso adiantar que Homura Hime é um dos grandes jogos de ação do ano, com pouquíssimos tropeços ao longo do caminho. Vamos analisar em profundidade o título de estreia da Crimson Dusk, seus principais acertos e também seus pontos mais fracos, em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!
História
Seguimos a jornada de Homura, uma jovem exorcista que acaba de ser nomeada santa. Com esse novo título, ela passa a ser responsável por encontrar e eliminar cinco arquidemônios que ameaçam a paz de diversas regiões. Ao lado de sua guia, Ann, Homura inicia sua jornada.
Mesmo com algumas surpresas ao longo do caminho, a estrutura narrativa de Homura Hime é familiar, mas bastante funcional ao equilibrar humor e drama de forma competente. Um ritmo episódico cativante se faz presente, com cada nova fase abordando um tema diferente, como guerra, cultos e até zumbis.

Uma vasta quantidade de documentos opcionais pode ser encontrada pelos cenários, agregando bastante à construção de mundo e ao desenvolvimento do background de personagens que têm menos tempo de tela do que as protagonistas. Como não há legendas em português, o interesse pela história de Homura Hime pode acabar prejudicado, o que é uma pena, já que elementos do folclore japonês e chinês foram muito bem explorados.
Também vale destacar a direção das cutscenes, que apresenta ótimas animações de batalha e uma fluidez impressionante, impulsionadas por bons enquadramentos e pelo uso eficiente de câmera lenta.

Combate
Primeiro, gostaria de destacar novamente a suavidade e a responsividade dos controles de Homura Hime. Chama atenção, sobretudo, o cuidado com os cancels que podem ser realizados por meio de esquiva e parry durante praticamente qualquer ação do jogador, sem perda de momentum na movimentação. O sistema lembra bastante Bayonetta e sua mecânica de Dodge Offset, na qual, mesmo após uma esquiva, o combo não é reiniciado.
O combate de Homura Hime é fortemente baseado em esquivas e contra-ataques, porém com janelas de tempo mais amigáveis do que a maioria dos jogos com sistemas semelhantes. O verdadeiro desafio surge quando é necessário alternar rapidamente entre esquivas e parry durante confrontos com múltiplos inimigos ou ao lidar com sequências de golpes de um chefe.

Um extenso moveset e uma jogabilidade refinada só são realmente bem aproveitados quando acompanhados por um level design e um enemy design à altura. Embora esses elementos não estejam exatamente no mesmo nível da jogabilidade de Homura Hime, o trabalho com as fases e os inimigos se mostra eficiente.
Grande parte dos adversários está ali para servir como “saco de pancadas” do jogador, enquanto a principal quebra de ritmo vem de inimigos protegidos por bolhas que precisam ser destruídas com ataques de curto ou longo alcance.
Mesmo os inimigos que exigem um comportamento inicial mais específico por parte do jogador podem ser administrados com contra-ataques para atordoamento e com as diversas habilidades de controle de grupo de Homura, como paralisar inimigos ou puxar um alvo até sua posição. Assim, a liberdade do jogador raramente é removida.
O resultado é um nível de polimento no combate e na movimentação de Homura Hime que se aproxima de alguns dos melhores trabalhos da Team Ninja e da PlatinumGames.

Um enorme potencial, quase alcançado
Algo que constantemente me intrigou durante minha experiência em Homura Hime foi a forma como os conteúdos extras são distribuídos ao longo da campanha. Existem combates secretos, desafios de plataforma com limite de tempo e caixas escondidas que aumentam nosso HP e a quantidade de disparos disponíveis.
Mesmo sendo atividades opcionais, elas estão praticamente no caminho principal, tornando muito improvável que o jogador não as encontre. E não é como se os cenários fossem apenas pequenos corredores: há áreas relativamente extensas, mas muitas delas acabam parecendo vazias. Com isso, Homura Hime não transmite uma forte sensação de descoberta, o que infelizmente diminui o impacto de seus cenários, que contam com uma direção de arte marcante e uma paleta de cores bastante bonita.
Um ponto que ficou abaixo das expectativas são as batalhas contra chefes. Após um começo bastante promissor, os confrontos passam a ter um ritmo apenas morno, com uso excessivo de contra-ataques e pouca individualidade entre as lutas. Mesmo com uma quantidade de chefes relativamente baixa para o gênero, alguns acabam se repetindo até duas vezes sem apresentar mudanças significativas.

Vale a pena jogar Homura Hime?
Para os fãs de jogos de ação, Homura Hime se mostra uma aquisição praticamente obrigatória dentro do gênero. O título apresenta uma história simples, mas bem equilibrada, que se encerra justamente em seu melhor momento. A excelente jogabilidade é valorizada pela variedade de inimigos e por bons trechos de plataforma, embora sejam poucos os momentos em que esses dois elementos se integram de forma realmente harmoniosa.
A repetição e a quantidade limitada de chefes acabam decepcionando. Mesmo sendo confrontos desafiadores, falta mais individualidade para a maioria das batalhas.
Ainda assim, Homura Hime marca uma estreia impressionante da Crimson Dusk, demonstrando a capacidade do estúdio de entregar um sistema de combate refinado, animações de alta qualidade e um polimento técnico notável.
Homura Hime será lançado nesta quarta-feira, 4 de março de 2026 para PC, via Steam, com uma futura versão para Nintendo Switch 2 atualmente em desenvolvimento.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela PLAYISM.

