Lovish | Review
Lovish é um jogo de ação e aventura insano, com gráficos crocantes em 8 bits. O título traz claras inspirações em clássicos do MSX, vale citar, inclusive, The Maze of Galious, o famoso Knightmare II. O jogo foi desenvolvido pela LABS, estúdio fundado por Matt Kap, também responsável pelo excelente Castle in the Darkness, outro game retrô de exploração em plataforma, e publicado pela Dangen Entertainment.
Lançado no dia 5 de fevereiro de 2026, Lovish chegou ao PC e também aos consoles modernos. No game, você controla Dom Solomon, que atravessa uma série de salas compactas em uma jornada desesperada para resgatar seu grande amor, a princesa Tsuna, raptada pelas garras do temível Senhor Demônio.
Parta em uma aventura ao lado de Dom Solomon em mais de 50 níveis, repletos de desafios, inimigos e segredos. Entre uma fase e outra, o jogo apresenta cenas de eventos malucos e completamente aleatórios, com centenas de variações possíveis, o que garante frescor e imprevisibilidade a cada jogatina.
Quer saber como Lovish está rodando no Steam Deck, o console portátil da Valve? Então bora fazer aquela pausa básica de 5 minutinhos, pega comigo um café coado bem quentinho, resgata a pizza de sábado que ficou na geladeira e vem comigo em mais uma análise retrô aqui no Pizza Fria!
Quando o simples é extremamente divertido
As motivações de Dom Solomon em Lovish são simples e diretas. O enredo é até batidinho, mas tudo isso acontece de forma comicamente proposital, afinal, estamos lidando com um jogo claramente inspirado nos grandes clássicos da era 8 bits.
A princesa Tsuna foi capturada pelo Lorde Demônio e precisa ser salva. Simples assim. Dom Solomon e os Light Warriors, opa, sim, meu amigo, se você jogou o Final Fantasy original, lá do Nintendinho da década de 80, vai reconhecer imediatamente o Lutador, o Mago Negro e a Maga Branca correndo ao lado do cavaleiro na apresentação, partiram juntos nessa jornada. Mas calma, vamos voltar ao ponto.
Dom Solomon e os Salvadores da Luz deixaram o castelo Cornelius rumo ao covil do mal. No entanto, no meio do caminho, Solomon começou a se preocupar… e se, após ser salva, a princesa acabasse se apaixonando por um de seus amigos, em vez dele?

E é aí que Lovish mostra seu lado mais absurdo e divertido. O corajoso, pegajoso e traiçoeiro guerreiro toma uma decisão extrema, destrói a ponte que liga ao castelo, abandona seus companheiros e segue sozinho em direção ao mau absoluto. Afinal, para Solomon, a princesa precisa ser toda dele, custe o que custar.
Não precisa de muito, quando o clássico é bem feito
Lovish é um jogo de ação e aventura em plataforma, com gráficos em 8 bits, e uma jogabilidade extremamente simples e responsiva. Inicialmente, Dom Solomon executa apenas dois movimentos, o clássico pular e atacar. É a prova de que um conceito básico, quando bem executado, pode ficar deliciosamente crocante.
No entanto, o game não se limita a isso, à medida que você progride com o herói, novos movimentos vão sendo desbloqueados. Não demora muito para encontrar a lojinha da Purin, onde é possível gastar as moedinhas coletadas pelos calabouços em troca de novas habilidades.
São diversas opções que facilitam bastante a vida do jogador, como ataques para cima e para baixo, uma capa que permite executar um dash tanto no chão quanto no ar, uma vida extra para aguentar mais de um golpe inimigo, entre muitos outros aprimoramentos que, sem dúvidas, tornam a jornada mais suave e estratégica.

A progressão do game ocorre pelos andares do castelo do Lorde Demônio, cada um contendo nove estágios, sendo o décimo reservado para o chefe. Em cada uma dessas fases, incluindo as batalhas contra chefes, existem três coroas para serem coletadas.
Uma das coroas fica totalmente escondida e, provavelmente, exigirá que você quebre algum bloco suspeito na parede, ou elimine todos os inimigos da sala, a outra é obtida ao concluir o estágio de forma pacífica, ou seja, sem matar nenhum monstro. E sim, isso também vale para as fases com chefes… mas não vou estragar a surpresa contando como derrotá-los sem sujar as mãos.
Por fim, após passar pela cômica cena do ninja misterioso derrotando o mau invencível, você ganha um anel que libera a terceira coroa em todos os estágios, é a coroa do tempo, para recebê-la, você deve ser o mais rápido possível em cada um dos estágios.

As cenas aleatórias são a cereja do bolo
Além dos estágios com level design divertido, criativo e muito bem construído, a grande cereja do bolo em Lovish está justamente entre as fases. O que faz o game se destacar em meio a tantos outros jogos de plataforma são as deliciosas cenas aleatórias, que inserem uma variedade de eventos malucos e inesperados na experiência.
Sério, algumas dessas cenas são puramente cômicas, outras extremamente divertidas. Há momentos, por exemplo, em que o jogo vira um pequeno RPG de turno, no qual você precisa batalhar e vencer, em outros, são situações sem qualquer interação, como quando Solomon encontra uma fita VHS… mas não tem mais um videocassete para assistir. E isso é só a ponta do iceberg.
Uma dessas cenas, em especial, merece destaque para mim, quando Dom Solomon encontra um Lovecon, nome dado ao Game Boy clássico. Meu amigo, confesso que fiquei bons minutos completamente imerso, jogando a masmorra até resolver todos os enigmas e derrotar a chefe de The Dungeon of Azela, que, inclusive, ainda entrega uma historinha no final.

Dito isso, meus amigos, quando você soma fases com level design bem pensado, desafiador e recheado de segredos, um sistema de progressão simples e intuitivo, que começa com apenas dois movimentos e evolui com diversas habilidades, e essas cenas entre as fases absurdamente divertidas, o resultado é Lovish. Um jogo que se torna uma pedida certeira para os saudosos jogadores da era de ouro dos videogames.
Audiovisual no Steam Deck
Lovish é um jogo adorável, com gráficos em pixel art muito bem definidos e personagens carismáticos, todos muito bem modelados e criados pelo artista e mangaká Ryusuke Mita, conhecido por Meio Dragão, entre outros trabalhos. O visual ainda conta com um filtro gráfico opcional que imita as clássicas televisões CRT, reforçando ainda mais a identidade retrô da experiência.
Além disso, por ser um jogo leve, Lovish roda extremamente bem no Steam Deck. Durante toda a minha jornada pelo castelo do Senhor Demônio, não observei bugs, travamentos ou gargalos de desempenho, tudo funcionou de forma estável e suave no PC portátil da Valve.
Quanto à trilha sonora, o game entrega composições empolgantes, com mais de 20 faixas criadas pelo próprio Matt Kap. As músicas vestem perfeitamente a aventura e, sem exagero, ficam grudadas na sua cabeça por horas depois de jogar.

Por fim, mas não menos importante, Lovish conta com legendas totalmente localizadas para o português do Brasil. Mais um grande ponto para essas pequenas empresas que entendem a importância de valorizar e cativar o mercado nacional.
Vale a pena jogar Lovish?
Sem dúvidas alguma, a resposta é um grande SIM! Lovish é uma verdadeira carta de amor aos jogadores da velha guarda, feita por quem claramente entende e respeita a era de ouro dos videogames. O jogo entrega exatamente aquilo que promete, e vai além, level design afiado, jogabilidade simples e extremamente responsiva, progressão inteligente e um senso de humor delicioso que aparece justamente onde menos se espera, entre uma fase e outra.
É impossível não sorrir com os eventos aleatórios, as referências descaradas aos clássicos do 8-bits e a forma como Lovish brinca com os clichês do gênero sem nunca desrespeitá-los. Tudo aqui parece ter sido pensado com carinho, desde as mecânicas básicas até as cenas malucas que quebram o ritmo e tornam a jornada imprevisível e memorável. É aquele tipo de jogo que começa simples, mas vai crescendo, ganhando camadas, segredos e personalidade própria.
Visualmente, a pixel art é um espetáculo à parte, acompanhada por uma trilha sonora viciante que gruda na cabeça e combina perfeitamente com a aventura. Some isso ao excelente desempenho, inclusive no Steam Deck, à localização completa em português do Brasil e à ausência de problemas técnicos relevantes, e temos um pacote extremamente sólido.
E talvez o melhor de tudo, Lovish ainda chega com um preço muito abaixo dos padrões atuais do mercado. No Steam, o jogo custa apenas R$ 46,99 na versão padrão, ou R$ 57,09 na edição que inclui a trilha sonora separadamente. Pelo conteúdo, cuidado e personalidade que entrega, é facilmente um dos melhores custos-benefícios recentes para quem ama jogos retrô. Se você sente saudade dos tempos do 8-bits, Lovish não é só recomendado, é obrigatório.
Lovish já está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam, GOG, Humble e itch.io.
*Review elaborada em um Steam Deck, com código fornecido pela DANGEN Entertainment.
Lovish
BRL 46,99Prós
- Possui legendas muito bem localizadas para o português do Brasil.
- Jogabilidade simples, responsiva e intuitiva.
- Level design criativo, desafiador e cheio de segredos.
- Pixel art belíssima, com filtro CRT muito bem implementado.
- Trilha sonora viciante e perfeitamente alinhada à proposta.
Contras
- Alguns desafios, como coletar coroas pacifistas, podem frustrar jogadores mais casuais.
- Estrutura de salas compactas pode não agradar os jogadores que preferem mapas amplos e mais abertos.
- Apesar do número de fases, é um jogo curto, e pode ser terminado em cerca de 3 horas.

