Super Bomberman Collection | Review
Super Bomberman Collection foi o shadowdrop da vez. A coletânea do mascote da Hudson Soft, desenvolvedora que teve uma parceria histórica e fundamental com a NEC, na década de 80, foi apresentada durante a Nintendo Direct do dia 5 de fevereiro de 2026, com disponibilidade imediata logo após o anúncio.
Desenvolvido pela Red Art Games, e distribuído pela Konami, Super Bomberman Collection traz os clássicos da era de ouro dos videogames para as plataformas modernas como, PC via Steam, PlayStation 5, Xbox Series S|X e Nintendo Switch, contando com diversos recursos extras e melhorias na qualidade de vida.
A coletânea está disponível em formato digital, com lançamento físico previsto apenas para o dia 25 de agosto de 2026, e reúne cinco clássicos da série Super Bomberman, originalmente lançados para o Super Nintendo, além de Bomberman de 1985, e Bomberman II de 1991, ampliando ainda mais o pacote nostálgico para os fãs do personagem.
Ficou curioso para saber como anda Super Bomberman Collection no Steam Deck, o portátil da Valve? Então bora para aquela pausa rápida, pega aquele coado bem quentinho na cozinha, procura aquela quatro queijos de ontem na geladeira e vem comigo nessa análise explosiva do Pizza Fria!
Uma breve viagem ao passado
Lançado originalmente em 1983 pela Hudson Soft, Bomberman surgiu em um período de forte experimentação da indústria dos videogames, quando conceitos simples precisavam ser criativos o suficiente para se destacar. O jogo nasceu no PC-8801, da NEC, apresentando um protagonista humano que precisava escapar de labirintos usando bombas como principal ferramenta. Mesmo com limitações técnicas evidentes, a ideia central do game, posicionamento estratégico, controle de espaço e risco constante, já mostrava um potencial que ia muito além de sua aparência minimalista.
Ao longo da segunda metade dos anos 80, o game passou por transformações importantes, tanto estéticas quanto conceituais. A versão para o Famicom, lançada em 1985, marcou uma virada decisiva ao apresentar o personagem com visual mais carismático e ao refinar sua jogabilidade. Pouco depois, a Hudson introduziu o modo multiplayer competitivo, elemento que se tornaria a verdadeira alma da franquia. A partir desse momento, Bomberman deixou de ser apenas um jogo de ação em labirintos para se tornar uma experiência social, pensada para confrontos diretos entre jogadores.
A forte parceria entre a Hudson Soft e a NEC foi fundamental para consolidar a franquia como uma marca de peso. No PC Engine, o personagem ganhou inúmeras versões, cada vez mais polidas e populares no Japão, ajudando a definir o console como uma plataforma ideal para jogos multiplayer. Essa associação também fortaleceu a identidade do mascote da Hudson, que passou a ocupar um espaço semelhante ao de outros ícones da época, mesmo sem depender de narrativas complexas ou grandes produções cinematográficas.

Foi, no entanto, no Super Nintendo que Bomberman atingiu seu auge criativo e cultural. A série Super Bomberman, iniciada em 1993, refinou a fórmula clássica ao extremo, oferecendo controles precisos, arenas bem desenhadas e um multiplayer local que se tornou referência absoluta do gênero. Com suporte para até quatro jogadores via multitap, os jogos da franquia no console da Nintendo ajudaram a eternizar Bomberman como um dos maiores símbolos do multiplayer competitivo dos anos 1990, influência que ecoa até hoje e justifica o carinho duradouro do público pela série.
O que encontramos na coletânea
Super Bomberman Collection traz uma coletânea de peso para os consoles da atual geração, entregando em um único pacote os cinco jogos considerados os melhores da franquia, lançados na era de ouro dos videogames, a pentalogia Super Bomberman. Antes mesmo de iniciar cada título, o jogador pode se deliciar com a visualização dos cartuchos e das caixas originais nas versões americana, japonesa e europeia, todas recriadas em modelos tridimensionais extremamente fiéis aos originais.
E não se preocupe, as versões de Super Bomberman 4 e Super Bomberman 5, que originalmente foram lançadas apenas no Japão, receberam tradução para o inglês nesta coletânea. Como bônus, ainda temos acesso aos dois jogos da era Famicom, Bomberman, lançado em 1985, e Bomberman II, de 1991. Sempre que jogo esses dois títulos, gosto de observar o quanto a franquia amadureceu nesse intervalo de seis anos. O segundo game, por exemplo, já apresenta uma narrativa contada por meio de cenas animadas, além de um trabalho em pixel art visivelmente mais refinado em comparação ao primeiro.
Além dos sete jogos jogáveis, a Super Bomberman Collection também oferece uma galeria robusta com mais de 200 imagens, todas já desbloqueadas desde o início. O conteúdo inclui artes conceituais, ilustrações de personagens, inimigos e cenários, funcionando como um verdadeiro presente para os fãs da franquia e um material histórico muito interessante de se explorar.

Por fim, a coletânea conta com a Rádio Bomba, um espaço dedicado exclusivamente à trilha sonora da franquia. Aqui, você pode simplesmente sentar, relaxar e curtir as músicas icônicas de Bomberman, sem se preocupar em explodir nada nem ninguém, apenas aproveitando a atmosfera sonora explosiva que marcou gerações.
Jogabilidade simples, intuitiva, mas não tão responsiva
Para alguém que esteve hibernando por 40 anos e não conhece a franquia, Bomberman pode ser descrito como um jogo de ação baseado em labirintos, no qual o jogador utiliza bombas para eliminar inimigos e abrir caminho pelos cenários.
Embora tenha nascido como uma experiência essencialmente single-player, a série se consolidou ao longo dos anos principalmente por sua jogabilidade multijogador, que acabou se tornando seu maior diferencial e também o principal legado da franquia.
Para se ter uma ideia de sua popularidade, Bomberman se tornou uma verdadeira febre no Japão durante os anos 1990. No Super Nintendo, a franquia ajudou a popularizar o uso do Multi-Tap, acessório que permitia conectar até quatro controles simultaneamente, transformando o console da Nintendo em palco para intensas partidas multijogador, especialmente em reuniões e festas entre amigos.

Agora, falando especificamente da jogabilidade na Super Bomberman Collection, no geral ela segue sendo simples, intuitiva e fácil de entender. No entanto, pude perceber uma leve latência nos comandos dentro do pacote de jogos, o que deixa a experiência um pouco menos responsiva do que nos títulos originais. Sim, eu tenho os jogos no Super Nintendo, e lá essa latência é imperceptível.
Novo modo e implementações
Agora vamos às melhorias de qualidade de vida entregues na Super Bomberman Collection. São várias, meus amigos, e vão desde filtros de exibição, nos quais você pode alterar o aspecto da tela e ativar um filtro de CRT, até a sobreposição de comandos, que exibe os botões no canto inferior direito da tela, além da opção de personalizar completamente a configuração dos controles.
Além disso, temos os já conhecidos “facilitadores de vida”. É possível salvar e carregar o jogo a qualquer momento e, o mais leite com pera de todos, rebobinar o jogo com o pressionar de um único botão. São recursos interessantes, especialmente o sistema de salvar e carregar. Já a função de rebobinar, na minha opinião, deixa o jogo fácil demais.
Outro detalhe bem-vindo é que cada um dos jogos conta com seus manuais originais escaneados em ótima qualidade, além de uma tela adicional com a descrição dos itens totalmente localizada em português do Brasil, algo que facilita bastante a vida de quem não está tão familiarizado com a franquia.

Uma implementação divertida e, ao mesmo tempo, importantíssima presente nos cinco jogos é o modo Boss Rush, que conta com três níveis de dificuldade distintos. Aqui o filho chora e a mãe não vê, você precisa enfrentar todos os chefes do jogo escolhido em sequência. Vale destacar que, nesse modo, é tudo na raça, sem salvamentos, sem continues e sem a opção de retroceder o tempo.
A grande ausência do pacote fica por conta do multiplayer online. Sim, o foco aqui é a discórdia presencial, multiplayer local, você sentado no sofá ao lado do amigo, brigando a cada explosão que te elimina da partida. A coletânea não possui um modo online nativo com matchmaking para enfrentar desconhecidos, o que certamente teria sido um belo acréscimo.
Audiovisual no Steam Deck
De certa forma, os jogos da Super Bomberman Collection estão fiéis aos originais. Logicamente, você não está jogando em uma TV de tubo, e os gráficos acabam ficando mais pixelados, porém continuam bem definidos. Todos os jogos contam com opções de moldura e ajustes de proporção de tela, permitindo jogar em 4:3, na proporção nativa, entre outras variações.
Quanto aos filtros de suavização de imagem, geralmente gosto de utilizá-los quando realmente emulam uma TV de tubo. No entanto, não espere grandes coisas aqui. Os filtros se limitam a curvar as bordas da tela e adicionar scanlines, sem aqueles efeitos de fósforo característicos das TVs antigas. Além disso, fora ativar ou desativar o filtro, não há opções adicionais de personalização.
A parte sonora, porém, é um pouco delicada. O jogo vem, por padrão, com a Sincronia Vertical ativada nas opções. Caso essa configuração não seja desativada, o áudio fica totalmente dessincronizado, tornando a experiência praticamente injogável. Trata-se de um vacilo considerável por parte dos desenvolvedores, e que espero sinceramente que seja corrigido em uma atualização futura.

Por fim, todos os menus da Super Bomberman Collection estão localizados em português do Brasil. A ressalva fica por conta dos jogos em si, que continuam em inglês. Ao menos, os Super Bomberman 4 e 5, lançados originalmente apenas no Japão, finalmente receberam tradução para o inglês, o que já é um avanço importante.
Vale a pena jogar Super Bomberman Collection?
Vale a pena jogar Super Bomberman Collection, principalmente se você tem qualquer ligação afetiva com a franquia ou curiosidade em conhecer alguns dos melhores jogos de ação em labirinto já feitos. A coletânea entrega, em um único pacote, a pentalogia Super Bomberman, além dos dois títulos clássicos do Famicom, todos acompanhados de melhorias de qualidade de vida que tornam a experiência mais acessível nos consoles modernos.
Recursos como salvar a qualquer momento, rebobinar a jogatina, personalização de controles, filtros de imagem, galeria recheada de conteúdo e o bem-vindo modo Boss Rush mostram que houve um cuidado real em preservar e modernizar esses clássicos. A fidelidade aos jogos originais é clara, tanto na jogabilidade quanto na identidade visual, mesmo com as limitações naturais de não se jogar em uma TV de tubo.
No entanto, nem tudo são flores. A ausência de multiplayer online é uma oportunidade perdida, especialmente em uma franquia que construiu seu legado no caos das partidas entre amigos. Soma-se a isso a pequena latência nos comandos, perceptível para quem conhece os jogos originais, e o grave problema de áudio desincronizado quando a sincronia vertical está ativada, um erro que precisa ser corrigido com urgência.
No fim das contas, Super Bomberman Collection vale a pena, sim, mas com ressalvas. É uma coletânea sólida, recheada de conteúdo e respeito ao legado da série, porém ainda carente de ajustes técnicos e decisões mais ousadas. Para fãs da velha guarda, é uma ótima pedida, para novos jogadores, uma ótima porta de entrada.
Super Bomberman Collection já está disponíveis para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC, via Steam, Nintendo Switch 2 e Nintendo Switch.
*Review elaborada em um Steam Deck, com código fornecido pela Konami.
Super Bomberman Collection
BRL 114,90Prós
- Menus localizados para o Português do Brasil.
- Pentalogia Super Bomberman completa mais 2 jogos clássicos do Famicom.
- Galeria com mais de 200 imagens já desbloqueadas.
- Recursos modernos de qualidade de vida e modo Boss Rush.
Contras
- Problema grave de áudio desincronizado com a Sincronia Vertical ativada.
- Pequena latência nos comandos comparado ao hardware original.
- Ausência de multiplayer online com matchmaking.

