Ys X: Proud Nordics | Review
Ys X: Proud Nordics é um JRPG de ação com uma pitada de combate naval e exploração dos mares, desenvolvido pela Nihon Falcom e publicado pela NIS America. Nele, acompanhamos o ruivo Adol Christin em mais uma de suas aventuras, e, como costuma acontecer, desventuras. A viagem de barco que era para ser tranquila acaba se tornando uma enorme confusão, muito além do que Adol e seus amigos poderiam imaginar.
E aí, será que essa versão definitiva do jogo vale nosso tempo e suado dinheirinho ? É o que saberemos agora, em mais uma aventura épica do Pizza Fria.
O (novamente) escolhido
Existem pessoas, caros leitores e leitoras deste absurdamente incrível sítio, que nasceram para se destacar da multidão. Grandes cientistas, imperadores, exploradoras, filósofos e por aí vai. Aqueles que, de uma forma ou de outra, conseguiram deixar sua marca na história a tal ponto que, até, conseguem conquistar um Nobel da vida ou, e aqui contamos a real vantagem, ter seu nome utilizado para batizar personas ou personagens de jogos. Que honra!
Já no mundo dos bits e bytes, ninguém foi mais escolhido para salvar o mundo e receber os poderes mágicos do destino do que um certo Adol Christin. Conhecido por seu cabelo vermelho, sede de aventura e habilidade de sempre se meter em enrascadas, o protagonista da série Ys realmente é um dos que mais se meteram em profecias e desastres que já vi na minha vida.
Querem uma prova? Nosso joguinho da vez, Ys X: Proud Nordics, comprova meu ponto ao contas a décima presepada que nosso chegado se envolve desde sua primeira aparição em nossa cultura popular. Admito que fiquei bem empolgado quando vi o título, tanto por ser fã confesso da franquia quanto por estar intrigado com essa pegada marítima que foi proposta aqui. Mas e aí, será que minhas expectativas foram atendidas? Ou me decepcionei, como quase tudo em minha vida? É o que saberemos agora, minha gente bonita.

História
Ys X: Proud Nordics se passa após as primeiras aventuras de Adol, mais especificamente Ys II: Ancient Ys Vanished – The Final Chapter, e durante a travessia de nosso chegado até o continente de Celceta – palco de Ys: Memories of Celceta. Contrariando a noção de que um cidadão pode ter um dia de paz nessa droga de vida, o navio no qual nosso herói e seus amigos estão acaba sendo atacado por piratas, fazendo com que a galera precise se refugiar em uma cidade chamada Carnac, uma cidade portuária localizada em um grande arquipélago.
Lá, após uma série de desventuras, nosso chegado descobre duas coisas incríveis: primeiro, que possui o poder de utilizar um poder chamado Mana. Segundo, que agora se encontra preso a uma princesa pirata, chamada Karja, através de uma corda mágica. E, como toda a desgraça é pouca, que precisa se unir à sua nova parceira e uma série de outras personalidades para lutar contra a ameaça dos Greigr, mortos-vivos imortais que ameaçam todo o arquipélago e possuem um interesse especial em nosso ruivo favorito.
A trama de Ys X: Proud Nordics captura bem o charme da franquia, principalmente ao levantar aquela ideia de que estamos diante de uma aventura tão perigosa quanto emocionante, cheia de coisas a se descobrir e desbravar. Temos uma boa quantidade de reviravoltas e personagens interessantes, que ajudam a fazer o mundo parecer vivo e nos manter interessados. Além disso, a dinâmica entre Adol e Karja, e o desenvolvimento de sua amizade e companheirismo, também é muito legal de acompanhar.
Por fim, a versão Proud do jogo também conta com um conteúdo endgame que explora mais sobre a história de Karja, suas rivalidades e sua vida como princesa viking. Eu achei um adicional legal, principalmente para os novatos. Contudo, quem já terminou o original pode sentir que precisávamos de mais.

Jogabilidade
Ys X: Proud Nordics segue a tradição da franquia, oferecendo um JRPG de ação no qual podemos controlar livremente o personagem utilizando golpes normais, especiais, esquivas e habilidades de movimento, como um gancho e uma prancha de aerosurf por exemplo, para explorar diversos cenários cheios de perigos e enfrentar qualquer monstro que apareça pela frente. Além disso, podemos navegar pelos mares em busca de tesouros e missões, secundárias e principais, para cumprir. Vamos ver, com mais carinho, cada um desses pontos.
O combate do jogo difere um pouco dos outros da saga, como Memories of Celceta por exemplo, ao focar no combate de duplas com Adol e Karja. Além de controlar cada um deles individualmente, com seu próprio conjunto de habilidades e equipamentos, podemos utilizar um botão para fazer ambos atacarem juntos, defenderem e utilizarem especiais muito mais poderosos, que drenam os recursos de ambos. Saber a hora de juntar e separar a dupla é essencial para enfrentar os inimigos mais fortes do jogo. Além disso, uma boa defesa garante um bônus para determinados ataques em conjunto, favorecendo a estratégia.
Inicialmente, admito que pensei que Ys X: Proud Nordics sairia perdendo ao abrir mão de diversos personagens com suas próprias armas e estilos. Contudo, a velocidade do combate, o desafio adicional de controlar os dois ao mesmo tempo e as habilidades do duo me fizeram perceber que a mudança, de fato, funcionou. Fora isso, a camada extra de estratégia em saber a hora certa de se juntar e separar também ajuda a manter o combate desafiador e acelerado em igual medida.
O único negativo, aqui, é que senti que os golpes não são tão pesados quanto eu estava acostumado. Antigamente, certos especiais faziam os inimigos explodirem com um grande tchan na tela, realmente demonstrando o quanto Adol tem a mão pesada. Agora, acho que o impacto foi diminuído, junto com a sensação de poder que havia. Nada de muito absurdo, mas perceptível da mesma maneira.

Outro ponto alto de Ys X: Proud Nordics é a exploração dos mar e das ilhas que fazem parte do arquipélago no qual o jogo se passa. Podemos controlar nosso navio livremente, que começa com uma velocidade de movimento muito baixa, enquanto entramos em combate com embarcações inimigas, encontramos terras novas para desbravar em busca de itens, encontramos materiais largados na água e juntamos recursos para melhorar o Sandras, nosso barco fantástico.
Essa parte é uma das mais divertidas do jogo, mesmo que o navio seja meio doido de controlar e, como falei, vá muito devagar no começo. Certo tempo depois, principalmente após liberarmos a mecânica de invadir ilhas inimigas, embarcações e deixar nosso barco mais forte e veloz, desbravar o mar se torna algo ainda mais recompensador e interessante. Ainda, passa a ser uma das maiores formas de gastar nosso tempo, fortalecer nossos personagens e conseguir algumas recompensas bem interessantes, como armas e novos membros para nossa tripulação.
De fato, devo dizer que Ys X: Proud Nordics realmente consegue reinventar as mecânicas já batidas da série de uma forma que me surpreendeu. Ainda que não seja algo nas veias de Assassin’s Creed Black Flag, o menino de ouro dos jogos envolvendo cães do mar e suas piratarias, o título consegue fornecer diversão e mecânicas competentes que elevam a experiência.

As novidades da versão Proud, além de melhorias de jogabilidade e desempenho, também se estenderam para novas ferramentas de mana que permitem manipular o cenário, uma dungeon super maneira e mais algumas surpresinhas interessantes. Essa é uma das partes mais legais adicionadas pela revisão, e o que realmente dá peso e a torna definitiva.
Sons e visuais
Achei os visuais de Ys X: Proud Nordics bem legais, com um visual bem colorido e ensolarado como era de se esperar de um título que se passe mais no mar que na terra. Realmente curti a forma que construíram o mundo, principalmente para criar a sensação de maravilha e descoberta que sempre acompanha o jogador. Salvo uma textura menos definida aqui e ali, não tenho do que reclamar.
A trilha sonora segue a mesma linha, com músicas legais de ouvir, que deixam o sangue pulsando e conseguem embalar muito bem os diversos momentos da aventura de Adol. Também curti a tradução e as legendas e inglês, mas devo dizer que achei vacilo deixarem nosso belo português brasileiro de fora dessa. Que horror!

Vale a pena comprar Ys X: Proud Nordics?
É isso aí, leitores e leitoras da tripulação mais supimpa desse mar cibernético. Será que Ys X: Proud Nordics deu bom, afinal? Bom, devo dizer que acredito que a resposta dessa pergunta seja positiva, afinal. Admito que entrei com grandes reservas e certo medinho, mas o que o jogo entregou, tanto em narrativa como mecânicas, realmente conseguiu me conquistar.
Essa é mais uma das aventuras de Adol que vale a pena acompanhar, cheia de personagens interessantes e maluquices que esperamos desse tipo de jornada. Além disso, o combate é divertido, temos um bom sistema de melhoria de habilidades, muito para explorar e, como a cereja desse belo bolo, todo o sistema de navegação e combate. Foi uma adição excelente, que espero ver em outros títulos no futuro. Alguns problemas com controles, os golpes meio sem impacto e a falta da legenda são minhas únicas reclamações.
Eu curti as novidades adicionadas, embora acredite que possa ser um pouco menos do que o necessário para que alguns sintam ser justificada uma segunda jogatina. De todo modo, mais Ys é sempre melhor, ainda mais com uma experiência mais refinada.
Ao fim e ao cabo, a recomendação de Ys X: Proud Nordics é certa. O jogo é pedida obrigatória para os fãs de Adol the Red, e certamente irá agradar os fãs da franquia. Contudo, aqueles que estiverem curiosos também poderão tirar muito proveito do título. Inclusive, encontrando motivos mais do que suficientes para se apaixonar pela saga também. Se curtirem bons JRPGs de ação podem ir sem medo. Não irão se arrepender.
Ys X: Proud Nordics já está disponível para Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e PC, via Steam, GOG.com e Epic Games Store.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela NIS America.
Ys X: Proud Nordics
BRL 189,99Prós
- Combate é bem divertido, com a introdução da nova mecânica de pares
- Adições da versão proud deixam a experiência ainda melhor
- Combate naval ficou bem legal
- Sistema de raids em ilhas inimigas, e invasão de navios, foi uma ótima adição
- Trilha sonora segue ótima, como sempre
Contras
- O controle do navio é meio leve demais, em alguns momentos
- Poderia ter algumas adições adicionais, para justificar um retorno dos que já terminaram o título em seu lançamento original
- Faltou a legenda em português

