High on Life 2 | Review
Quando High on Life foi lançado em 2022, confesso que não fiquei muito animado, mas reconheço que o título encontrou um espacinho ali no meio dos FPS. Mas isso não veio através da jogabilidade, que não traz lá nada de novo. Mas por transformar o ato de puxar o gatilho em uma sequência engraçada de piadas absurdas e frequentemente desconfortáveis.
Agora, High on Life 2, desenvolvido e publicado pela Squanch Games para PC, via Steam e Epic Games Store, PlayStation 5, Xbox Series X|S, e também via Game Pass Ultimate, retorna com a mesma proposta: nos colocar no papel de um caçador de recompensas anônimo, armado com um arsenal de armas alienígenas falantes, em uma história que faz uma misturebad doida de ficção científica, sátira corporativa, críticas ao capitalismo (gostamos!) e humor deliberadamente caótico.
Mas será que em pleno 2026 High on Life 2 vai conseguir minimamente figurar entre os diversos FPS que estão surgindo, sejam eles competitivos ou apenas para um jogador? Tratarei disso e muito mais aqui nesta review. Confira!
Uma história engraçadinha
A premissa de High on Life 2 gira em torno de uma gigantesca corporação farmacêutica alienígena que sequestra humanos para transformá-los… em produtos comercializáveis ou até mesmo em seres de zoológico, um conceito que busca expandir o comentário social vindo do primeiro jogo. Assim, somos envolvidos em uma nova conspiração intergaláctica insana, que faz com que o jogo explore temas como capitalismo extremo, culto a bilionários e a transformação de pessoas em produtos.
Esse pano de fundo é bem sólido, criando uma base interessante para se fazer uma baita sátira ao mundo real. Aliás, é neste ponto que High on Life 2 mais tem força. Há diálogos que zombam diretamente da cultura corporativa, da idolatria a CEOs e da linguagem tosca do marketing e dos negócios. O mundo do jogo é construído de forma a reforçar essas zoeiras, com ambientes que parecem versões exageradas de convenções, centros comerciais e espaços de entretenimento, tudo para entrar na perspectiva alienígena e doida de High on Life 2.

Os chefes, por exemplo, não são apenas obstáculos mecânicos. Eles são personagens com motivações próprias, discursos e personalidades exageradas, algo já observado logo no início da confusão toda que o jogo nos coloca. Eles falam demais, justificam suas ações e frequentemente tentam convencer o jogador de que estão certos, mesmo enquanto você os elimina. Isso é legal demais, contribuindo para dar mais identidade ao universo e ajuda a manter o interesse narrativo. Mas nem sempre narrativa segura os jogadores…
A estrutura geral da história, mesmo com boas referências, não foge muito do padrão esperado. Você recebe uma missão, viaja até um novo planeta ou área, elimina inimigos, enfrenta um chefe e repete o ciclo. A narrativa serve mais como um veículo para o humor do que como uma motivação emocional genuína. Mesmo personagens importantes, como Lizzie, a irmã do nosso protagonista, acabam funcionando mais como dispositivos narrativos do que como figuras realmente envolventes.

As piadas são o ponto alto
Se existe algo que define High on Life 2, é seu compromisso quase obsessivo com o humor, fazendo piadas praticamente o tempo todo, envolvendo tudo para buscar ser o mais engraçado possível: armas, inimigos, NPCs, ambientes, menus e até momentos aparentemente triviais. No entanto, tal como no primeiro jogo, as armas seguem sendo o destaque. Cada uma delas conta com uma personalidade distinta, além de fazer comentários próprios e interações únicas com o mundo. Algumas são reclamonas, outras mais contidas, mas, de qualquer forma, sempre estão ali prontas para fazer uma gracinha.
Esse humor funciona melhor quando surge de forma orgânica, mas mesmo meio forçado, acaba nos arrancando umas risadolas. Em alguns casos, as gargalhadas são certas. Por exemplo, ao explorar o mundo e encontrar NPCs com problemas ridículos ou testemunhar interações estranhas, acabamos sendo pegos de surpresa. Felizmente, em meio a piadas meio forçadas, ainda há uma sensação de imprevisibilidade que nos deixa curiosos sobre o que encontraremos em seguida.

Mas, como tudo que é demais, enjoa. O ritmo constante de piadas e mais piadas também cria um efeito curioso na gente: o humor vai deixando de ser especial e passa a ser apenas parte do pano de fundo. Daí pra frente, pouca coisa se destaca.
Um shooter beeeem mais ou menos…
High on Life 2 é, em sua essência, um shooter em primeira pessoa. Poré, é justamente aqui que o jogo encontra uma série de problemas. O combate funciona. As armas possuem mecânicas diferentes, há habilidades secundárias e o sistema é responsivo o suficiente para manter a experiência agradável. Algumas armas possuem usos alternativos interessantes, como disparos que podem ser usados para resolver puzzles ou manipular o ambiente. Mas não há absolutamente nada demais.
Além disso, o skate é uma das mudanças mais perceptíveis no quesito jogabilidade. É meio estranho de início, mas ele permite que o protagonista tenha uma movimentação mais rápida, facilitando a exploração e adicionando uma camada extra de mobilidade durante o combate. Mas, mesmo assim, não chega a dar um grande impacto. É uma correria doida com muitos tiros por todos os lados.

Ou seja, mesmo com toda a personalidade de High on Life 2, os combates raramente empolgam. Os inimigos não apresentam comportamentos particularmente sofisticados, o feedback dos disparos não é especialmente impactante e os confrontos tendem a se repetir rapidamente. É muito mais do mesmo. Falta aquela sensação de desafio e impacto que define os melhores jogos de tiro da atualidade. É tudo muito sem graça, e isso faz com que o jogo dependa fortemente de seu humor e sua estética para manter o interesse.
Um mundo criativo
Se o combate não é o principal destaque de High on Life 2, o design do mundo ao redor acaba sendo um dos pontos positivos. Os ambientes totalmente alienígenas/futuristas são vibrantes, detalhados e cheios de pequenas histórias. Cada área possui sua própria identidade visual e temática. Há convenções absurdas em lugares enormes, cidades alienígenas repletas de propaganda bizarra e áreas que parecem versões distorcidas de ambientes familiares. Com isso, High on Life 2 recompensa nossos momentos de exploração com encontros inesperados, diálogos opcionais e situações completamente absurdas.
As missões secundárias são especialmente eficazes nesse sentido. Algumas envolvem participar de eventos estranhos, resolver situações ridículas ou simplesmente observar interações bizarras entre NPCs. Essas atividades não são necessariamente difíceis, sobretudo da perspectiva mecânica, mas ajudam a dar vida ao mundo. Esse nível de criatividade é o que impede que a experiência de High on Life 2 seja tão negativa e esquecível.

Problemas acontecem
Em minha experiência com High on Life 2 no PC, infelizmente fui vítima de alguns alguns problemas técnicos. Alguns deles foram falhas ocasionais, travamentos e quedas de desempenho constantes e comportamentos estranhos de inimigos. Além disso, alguns NPCs travavam o desenvolvimento da história, algo extremamente frustrante.
Embora esses problemas não tornem o jogo injogável, eles contribuem muito para a sensação de que o título não está tão refinado quanto poderia ser, ainda mais se tratando de uma proposta simples. Pra piorar, o jogo sofre com repetições em sua estrutura. Mesmo com toda a variedade visual e narrativa, o loop principal permanece praticamente inalterado do início ao fim, o que é desanimador.

Vale a pena jogar High on Life 2?
Olha, sendo bem honesto, a melhor maneira de descrever High on Life 2 é o considerando como um jogo que sabe o que quer ser, mas que não se esforça ou tenta ir além. Ele não tenta reinventar o gênero, o que não é um problema. Não tenta competir os shooters mais refinados do mercado. Em vez disso, aposta quase exclusivamente em sua identidade humorística. Mas isso funciona até certo ponto. O jogo é frequentemente engraçado, possui momentos memoráveis e oferece uma experiência diferente em termos de tom. Mas, como shooter, ele é muito sem sal… Funciona, mas não impressiona.
High on Life 2 é uma sequência que expande o universo da franquia sem realmente transformá-lo. Seu humor continua sendo seu maior diferencial, mas só isso. Por trás de toda essa criatividade, ainda existe um shooter bastante convencional, que raramente se destaca em termos de mecânica ou design de combate. Ele é até divertido, mas não é nada essencial. Seus gráficos são bonitos e agradáveis, mas esbarram em problemas técnicos e de desempenho que ofuscam totalmente a experiência.
Para quem busca uma jogatina leve e com um senso bem próprio de humor, críticas bem interessantes e reais, há algum valor aqui. Mas para quem espera algo maior, que divirta com ação e momentos únicos, ou ofereça um nível mais profundo de envolvimento mecânico, High on Life 2 dificilmente será mais do que apenas mais um entre tantos outros shooters disponíveis atualmente. É a vida.
*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX, com código fornecido pela Squanch Games.
High on Life 2
BRL 162,00Prós
- Humor constante e com identidade própria
- Sátiras e críticas inteligente em vários momentos
- Exploração recompensadora com eventos inesperados
Contras
- Combate é apenas funcional, sem grande impacto
- Problemas técnicos ocasionais
- Jogabilidade fica repetitiva com o tempo
- Inimigos possuem IA limitada
- Não gera grande motivação para continuar jogando


