Lost Records: Bloom & Rage | Preview

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A DON’T NOD é uma desenvolvedora renomada por suas narrativas imersivas e emocionantes, especialmente pelo primeiro Life is Strange. Seu mais novo projeto, Lost Records: Bloom & Rage, foi anunciado no The Game Awards 2023 e marca o retorno do estúdio ao desenvolvimento de jogos narrativos ao estilo que a deixou consagrada, trazendo uma nova história dividida em duas partes. A primeira, Bloom, será lançada nesta terça-feira, 18 de fevereiro, enquanto Rage chegará apenas em 15 de abril.

Por isso, nesta análise, focaremos exclusivamente no que Bloom tem a oferecer, sem um veredito definitivo sobre o jogo como um todo. Quer saber os detalhes dessa história sem spoilers? Então vem comigo em mais uma preview do Pizza Fria!

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Um retrato de amizade através do tempo

A narrativa de Lost Records: Bloom & Rage se desenrola em duas linhas temporais. Em 1995, acompanhamos Swann e suas amigas – Nora, Autumn e Kat – vivendo um verão marcante em Velvet Cove, sua cidade natal nos Estados Unidos, pouco antes de a protagonista se mudar para o Canadá. Já em 2022, um reencontro é marcado para que elas relembrem eventos esquecidos da juventude, pois algo misterioso fez com que todas perdessem muitas lembranças desse período. A estrutura do jogo remete a Life is Strange, trazendo um mistério central que conecta os dois momentos e nos convida a reconstruir a história por meio de conversas e memórias fragmentadas.

Para quem cresceu nos anos 90, o jogo é uma verdadeira viagem no tempo, com referências autênticas a fitas cassete, VHS, telefone fixo, TVs de tubo, filmadoras de mão e até mesmo tamagotchis. A trilha sonora, cuidadosamente selecionada, reforça essa atmosfera nostálgica. Já na linha do tempo de 2022, uma curiosidade: o encontro se passa em um período em que ainda estava decretada a pandemia de Covid-19 no mundo, dando um toque ainda mais real ao que o game busca oferecer.

Gameplay é um misto de interação e paciência

Lost Records: Bloom & Rage começa em 2022, com uma câmera em primeira pessoa. Não conhecemos Swann até irmos para 1995, quando há uma mudança de perspectiva e passamos a controlar a personagem em terceira pessoa. Assim como em Life is Strange, a mecânica principal do gameplay gira em torno de interações entre personagens e objetos do cenário.

Aqui, ainda podemos registrar momentos com a câmera de Swann, que mais funcionam como colecionáveis e construção do que o jogo chama de Memórias, algo puramente estético e com pouca influência no gameplay em si. O DualSense no PlayStation 5 adiciona um toque imersivo, permitindo que o jogador mova fisicamente o controle para enquadrar melhor suas gravações. Esse sistema é divertido e criativo, dando um senso autoral à jornada.

Lost Records: Bloom & Rage
Spoiler, garotas: Pulp Ficton é um filmaço! (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

No entanto, o ritmo de Lost Records: Bloom & Rage, ao menos até aqui, pode ser um problema. Algumas seções exigem resolver quebra-cabeças pouco intuitivos ou buscar itens em espaços confusos, como o bagunçado quarto da protagonista, o que pode frustrar jogadores que esperam uma progressão mais fluida e direta. Algo que deixa o título um tanto arrastado, ao menos nesse começo de narrativa.

Assim como em outros jogos da DON’T NOD, as escolhas de diálogo permitem moldar a forma como as personagens interagem, mas, pelo que vi até aqui, não parecem impactar drasticamente a narrativa principal, funcionando mais como ajustes de tom do que mudanças significativas na história.

Lost Records: Bloom & Rage
A fotografia de Lost Records: Bloom & Rage é incrível (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

Problemas técnicos: um tropeço na imersão

Apesar do visual estilizado e característico da DON’T NOD, Lost Records apresenta problemas técnicos preocupantes. O jogo roda a apenas 30 FPS no PlayStation 5 Pro – o console mais poderoso da atualidade – e mesmo assim sofre com quedas de desempenho. Um tanto injustificável.

Outro problema notável é a sincronia labial, que está seriamente desalinhada na dublagem em inglês, prejudicando a imersão nas conversas. Além disso, algumas linhas de fala ainda aparecem sem localização para português, o que pode ser um incômodo para jogadores brasileiros. De todo modo, o jogo conta com localização oficial para o nosso idioma, o que é uma vantagem.

Lost Records: Bloom & Rage
Swann e sua filmadora (Imagem: Reprodução/Lucas Soares)

O que esperar de Lost Records: Bloom & Rage?

Com o fim de Bloom, Lost Records prepara o terreno para sua segunda parte. A primeira parte apresenta um mistério intrigante – mas apenas em seu trecho final, e a dualidade entre passado e presente é um dos aspectos mais interessantes da experiência – afinal, o que definimos no passado promete alterar como tudo vai se desenrolar no presente. Resta saber se Rage trará um desfecho à altura do que se construiu até aqui, e se melhorias técnicas chegarão à tempo para tornar a experiência mais fluida nesses quase dois meses que faltam para o lançamento.

Por enquanto, Lost Records: Bloom & Rage entrega uma história com algum potencial, mas com limitações que podem afetar a imersão. Se a segunda parte resolver seus problemas e entregar um final impactante, pode se tornar um título recomendável. Por enquanto, até mesmo por estar incompleto, é difícil cravar se recomendo ou não.

Lost Records: Bloom & Rage estreia nesta terça-feira, 18 de fevereiro, para PC, via SteamXbox Series X|S e PlayStation 5. A primeira parte, Bloom, estará disponível sem custo adicional para assinantes PlayStation Plus Extra/Deluxe.

*Preview elaborada em um PlayStation 5 Pro, com código fornecido pela DON’T NOD.

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5, um Nintendo Switch e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.