Pokémon FireRed & LeafGreen | Review
Comemore os 30 anos da franquia mais famosa dos portáteis com Pokémon LeafGreen e Pokémon FireRed no Nintendo Switch. Lançado pela Nintendo em 27 de fevereiro de 2026 para os consoles híbridos, o game é o clássico lançado originalmente em janeiro de 2004 para o Nintendo Game Boy Advance. Trata-se do remake de Pokémon Green, versão lançada exclusivamente no Japão em 1996, ao lado de Pokémon Red, para o saudoso Game Boy.
Embarque em uma jornada inesquecível para se tornar o Campeão da Liga Pokémon. Explore a região de Kanto, capture criaturas selvagens espalhadas por diferentes áreas e complete a sua Pokédex enquanto enfrenta treinadores e supera desafios. Conquiste insígnias ao derrotar os líderes de ginásio e descubra segredos marcantes ao longo da sua trajetória como treinador Pokémon.
Ficou curioso para saber se a Nintendo caprichou na versão de Nintendo Switch de Pokémon LeafGreen e Pokémon FireRed? Então, prepare aquele café coado bem quente para aquecer os pokécorações e venha comigo em mais uma Pokéanálise do Pizza Fria!
Uma jornada atemporal
Lançados originalmente em 1996 para o Game Boy, Pokémon Green e Red marcaram o início de um verdadeiro fenômeno cultural no Japão. Desenvolvidos pela Game Freak e publicados pela Nintendo, os títulos apresentaram a região de Kanto e a proposta inédita de capturar, treinar e trocar criaturas por meio do cabo Link do portátil. Enquanto Pokémon Green permaneceu exclusivo do mercado japonês, o restante do mundo recebeu, a partir de 1998, Pokémon Red e Blue, versões adaptadas e refinadas que ajudaram a consolidar a febre global de Pokémon. O sucesso foi imediato, estabelecendo as bases narrativas, mecânicas e estruturais que moldariam a franquia por décadas.
Oito anos depois, em 2004, a série retornou às suas origens com Pokémon FireRed e LeafGreen, lançados para o Game Boy Advance. Mais do que simples remakes, os jogos reapresentaram a jornada por Kanto a uma nova geração de treinadores, agora sob a perspectiva técnica da terceira geração. Com gráficos atualizados, interface modernizada e integração com os títulos contemporâneos da época, Pokémon FireRed e LeafGreen serviram tanto como porta de entrada para novos jogadores quanto como reencontro nostálgico para veteranos que iniciaram sua trajetória no Game Boy original.
Agora, duas décadas depois, Pokémon FireRed e LeafGreen retornam ao Nintendo Switch e ao Nintendo Switch 2 sem alterações estruturais. Diferentemente de outros relançamentos modernizados da indústria, a experiência aqui é essencialmente a mesma do Game Boy Advance, preservando gráficos, interface, mecânicas e até mesmo as limitações técnicas originais. Não há melhorias visuais, localização de idioma, ajustes de qualidade de vida ou conteúdos adicionais, trata-se de uma reprodução fiel do clássico de 2004.

Dito isso, o relançamento funciona mais como um resgate histórico do que como uma reinterpretação moderna. Para veteranos, é a chance de reviver Kanto exatamente como era no Game Boy Advance, para novos jogadores, é a oportunidade de conhecer uma das bases mais sólidas da série em sua forma mais pura, praticamente intocada pelo tempo.
Enredo simples, mas que entrega uma ótima jornada
A história de Pokémon FireRed e LeafGreen é direta e funcional, servindo como pano de fundo para a exploração da região de Kanto, a captura de criaturas, os duelos contra outros treinadores e a conquista das insígnias necessárias para avançar na jornada. Mais do que apresentar uma narrativa complexa, o enredo atua como base para sustentar nossa progressão em um mundo que privilegia descoberta, estratégia e coleção.
Nos dois títulos, a trama é idêntica. Assumimos o papel de um jovem treinador da cidade de Pallet, que inicia sua aventura após receber seu primeiro monstrinho do renomado Professor Oak. A escolha entre Bulbasaur, Charmander ou Squirtle marca o ponto de partida de uma trajetória centrada na evolução da equipe e no desafio constante de superar os ginásios espalhados por Kanto.
Ao longo do caminho, nosso rival, também aprendiz e neto do Professor Oak, acompanha nosso progresso e reforça o clima competitivo que define a experiência de Pokémon. Esse elemento fortalece a sensação de crescimento contínuo, estabelecendo uma rivalidade que nos impulsiona a aprimorar estratégias e expandir o time.

Paralelamente à jornada pelos Ginásios, Pokémon FireRed e LeafGreen introduzem a Equipe Rocket, organização criminosa que atua na região explorando monstrinhos para fins ilícitos. Liderado por Giovanni, o grupo interfere em diferentes pontos do mapa, adicionando tensão ao percurso e ampliando o escopo da aventura. Sem recorrer a grandes reviravoltas, os jogos constroem uma história simples, porém eficiente, sustentando uma das estruturas mais icônicas da franquia.
Voltando realmente a 2004
Pokémon LeafGreen e FireRed são JRPGs de turno com a jogabilidade baseada em grades e a perspectiva top-down, em 2D, em geral com batalhas contra treinadores específicos espalhados pelos cantos de Kanto, ou que acontecem contra pokémons selvagens naquelas graminhas por todas as regiões. Suas opções contra esses, além de vencer as batalhas ou correr, são enfraquecer e lançar a pokébola para capturar e levar o monstrinho contigo na aventura.
Pronto, agora que já contextualizei sobre Pokémon LeafGreen e Pokémon FireRed, vamos ao que realmente importa, as novidades desta versão. E, infelizmente, elas são poucas. A primeira é a futura compatibilidade com o Pokémon HOME, que, apesar de anunciada, ainda não está funcionando. Quando ativada, permitirá transferir os monstrinhos capturados em Kanto para outros títulos do ecossistema atual de Pokémon.
A segunda é o Pokémon Wireless Club, que possibilita trocas e batalhas em modo local, sem fio. Isso mesmo, não é possível trocar Pokémon online com amigos à distância, será necessário encontrar outro jogador fisicamente próximo para realizar trocas ou batalhas, mas ao menos, desta vez, não é preciso utilizar o antigo cabo Link ou comprar um adaptador wireless para conectar dois consoles.

Visualmente, há apenas melhorias sutis na adaptação às telas do Nintendo Switch, perceptíveis principalmente no modo portátil. No modo dock, porém, os pixels ficam excessivamente evidentes devido à resolução maior da TV. Considerando que estamos falando de um jogo originalmente lançado em 2004 para um portátil, faltou um pouco mais de capricho na apresentação. Filtros como scanlines horizontais ou verticais poderiam ter sido incluídos para suavizar a imagem nas telas maiores.
E não para por aí, não espere melhorias de qualidade de vida. Seja você for um veterano revisitando Kanto, ou um jogador casual conhecendo LeafGreen e FireRed pela primeira vez, não há recursos modernos como aceleração de batalhas, função de rebobinar ou save state. A ausência dessas opções reforça a sensação de um relançamento pouco ambicioso. Vale ainda uma dica, se quiser aproveitar o áudio em estéreo na sua caixa de som, acesse o menu de opções e altere a configuração, pois o jogo vem, por padrão, em modo mono.
Conteúdos de evento estão presentes
Nas novas versões de Pokémon FireRed e LeafGreen, existe uma mudança importante no pós-game que chama a atenção. Diferentemente das edições originais, nas quais itens como Mystic Ticket e Aurora Ticket eram obtidos apenas por meio de eventos especiais ou distribuições limitadas, agora ambos podem ser conquistados diretamente após derrotar a Elite Four, eliminando assim a dependência de eventos.
Com o Mystic Ticket em mãos, o treinador pode viajar até Navel Rock, ilha especial onde é possível enfrentar e capturar os lendários Ho-Oh e Lugia. A novidade fortalece o pós-game, oferecendo objetivos adicionais além da campanha principal e incentivando a exploração e o completismo.
Já o Aurora Ticket libera o acesso à Birth Island, local misterioso onde o mítico Deoxys pode ser encontrado em sua forma de ataque, caso esteja jogando a versão FireRed, e na forma de defesa, na versão LeafGreen. A inclusão desse Pokémon, sem dúvidas, agrega valor à experiência, sendo a única maneira até então de obtê-lo no console híbrido da Big N.

No geral, essa foi uma excelente inclusão, e facilitou o acesso a conteúdos que antes dependiam de eventos presenciais ou distribuições temporárias, fazendo com que as versões de FireRed e LeafGreen para Switch ofereçam uma experiência mais completa.
Audiovisual de LeafGreen e FireRed no Nintendo Switch
No quesito audiovisual, LeafGreen e Pokémon FireRed entram em um terreno delicado. O jogo é bonito visualmente, e ele fica realmente lindo em uma telinha de Game Boy Advance, ou até mesmo na do Nintendo Switch em modo portátil. No entanto, como mencionei anteriormente, no modo dock, os pixels ficam excessivamente evidentes devido à alta resolução das TVs modernas. A ausência de um simples filtro gráfico, que poderia suavizar a imagem, faz falta e impacta a imersão durante nossa jornada por Kanto.
Em relação às músicas e aos efeitos sonoros, temos exatamente aquilo que se espera de um clássico de Pokémon, com trilhas fiéis ao original, marcantes e extremamente “chiclete”, capazes de permanecer na cabeça por horas. Para os nostálgicos, é um prato cheio, e, inclusive, as faixas estão disponíveis no aplicativo Nintendo Music para assinantes do Nintendo Switch Online.
Por outro lado, algo que eu, e acredito que boa parte dos jogadores brasileiros, sentimos falta, foi da localização em português do Brasil. O relançamento praticamente não recebeu alterações estruturais e tampouco inclui tradução para o nosso idioma, o que poderia ampliar significativamente o alcance da experiência.

Vale ainda um alerta importante, ao escolher entre Pokémon LeafGreen Version e Pokémon FireRed Version na Nintendo eShop, fique atento ao idioma especificado na página do produto. Não é possível alterar a linguagem após a compra, então a escolha da versão determina também o idioma disponível no jogo.
Vale a pena jogar Pokémon FireRed & LeafGreen?
No caso de Pokémon LeafGreen e Pokémon FireRed, minha resposta é um enigmático “depende”, e eu explico o porquê. Se você for um jogador saudosista, fã de Pokémon, alguém que nunca teve a oportunidade de jogar no Game Boy Advance ou até mesmo um colecionador de monstrinhos que precisa capturar o Deoxys, sem se importar em investir R$ 120,99 para conquistar as oito insígnias de Kanto, pode seguir em frente e embarcar nessa jornada. A experiência clássica está ainda mais completa, inclusive com a possibilidade futura de transferir suas capturas para o Pokémon HOME.
Por outro lado, se você, mesmo sendo fã da franquia, busca uma experiência mais casual e moderna, com recursos como aceleração de batalhas para evoluir seus Pokémon mais rapidamente, função de rebobinar erros estratégicos ou filtros gráficos para suavizar a imagem nas telas maiores, ambos os títulos deixam a desejar. Trata-se de um relançamento extremamente fiel ao original, inclusive em suas limitações.
No fim das contas, Pokémon LeafGreen e Pokémon FireRed continuam sendo excelentes jogos e representam uma das fases mais sólidas da franquia. A jornada por Kanto permanece envolvente, repleta de criaturas clássicas queridas pelos veteranos. Ainda assim, fica a sensação de que a Nintendo e a Game Freak poderiam ter dedicado mais atenção ao relançamento. Talvez esses títulos brilhassem mais como parte do catálogo do Game Boy Advance no Nintendo Classics do que como versões vendidas separadamente, sem melhorias significativas, por R$ 120,99.
*Review elaborada em um Nintendo Switch 2, com código fornecido pela Nintendo, com a versão LeafGreen.
Pokémon LeafGreen e FireRed
BRL 120,99Prós
- Perfeito para os jogadores mais puristas.
- A inclusão dos conteúdos de evento deixou a experiência mais completa.
Contras
- Ausência de localização para o português do Brasil.
- Ausência de recursos de qualidadede vida.
- O valor elevado para um jogo que poderia tranquilamente estar sendo ofertado na Nintendo Classics.


