REANIMAL | Review

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Após cinco anos desde seu último grande projeto, a Tarsier Studios retorna ao gênero que ajudou a consolidar: aventuras 2.5D marcadas por tensão constante, ambientação opressiva e narrativa fragmentada. Com REANIMAL, o estúdio apresenta uma proposta inédita, deixando para trás universos já estabelecidos e apostando em uma experiência original que amplia a violência, o horror e, principalmente, o foco na cooperação.

Ambientado em cenários mais próximos da nossa realidade, o título acompanha dois irmãos em uma jornada sombria por uma cidade tomada por perigos e mistérios. A promessa é clara: manter a essência atmosférica que consagrou o estúdio, mas introduzir novas camadas de jogabilidade e narrativa que diferenciem o projeto de seus antecessores espirituais.

Mas será que essas mudanças são suficientes para destacar REANIMAL dentro de um nicho cada vez mais povoado por experiências de horror estilizado? É isso que analisamos a seguir em mais uma análise antecipada do Pizza Fria!

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História e Ambientação

Em REANIMAL, acompanhamos dois irmãos que retornam a uma cidade tomada por degradação, criaturas hostis e ecos de um passado perturbador. A motivação inicial é direta: encontrar parceiros desaparecidos. No entanto, como já é característico da Tarsier Studios, o enredo não se constrói por longas exposições, mas por fragmentos espalhados pelo cenário, silêncios incômodos e acontecimentos que pedem interpretação.

A principal novidade está na presença mais frequente de diálogos. Diferente da abordagem quase muda vista em Little Nightmares, aqui há interações pontuais entre os protagonistas, inclusive com dublagem em português do Brasil, que ajudam a esclarecer objetivos e fortalecer o vínculo entre os personagens. Essa escolha torna a jornada ligeiramente mais acessível, sem abandonar o caráter enigmático que define o estilo do estúdio.

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Sozinhos na escuridão (Imagem: Reprodução)

A ambientação também marca uma mudança relevante. Se antes predominava uma estranheza quase onírica, com ambientes grotescos e estilizados, agora a atmosfera aposta em uma frieza mais realista. Ruas abandonadas, estruturas decadentes e espaços que remetem ao mundo contemporâneo substituem parte do surrealismo exagerado. O resultado é um horror menos fantasioso e mais cru, que se apoia na sensação de abandono e vulnerabilidade constante.

Mesmo com maior contextualização, a narrativa permanece não tradicional. Poucas cenas expositivas conduzem a trama, enquanto o restante é sugerido por detalhes visuais e pela composição dos ambientes. A direção de arte continua sendo peça central na construção do universo, com enquadramentos que reforçam a pequenez dos protagonistas diante da escala das ameaças.

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Composição das cenas é destaque do início ao fim (Imagem: Reprodução)

Conforme a campanha avança, pistas sobre a origem daquele cenário e das criaturas começam a ganhar forma. O impacto das revelações não está necessariamente em grandes reviravoltas, mas na forma como o contexto amplia o peso emocional da jornada. O que começa como uma busca direta evolui para algo mais perturbador, culminando em momentos que exploram a brutalidade de maneira mais explícita do que em trabalhos anteriores do estúdio.

Ainda assim, o ritmo inicial pode soar excessivamente familiar para quem já conhece produções anteriores da desenvolvedora. A primeira hora aposta fortemente na tensão silenciosa e na repetição de situações conhecidas, o que pode reduzir o impacto das primeiras impressões. É somente quando o jogo passa a expandir seus elementos narrativos e suas interações que a identidade própria de REANIMAL começa a se consolidar.

Jogabilidade, gráficos e sons

Se a estrutura narrativa mantém a identidade da Tarsier Studios, é na jogabilidade que REANIMAL demonstra seu maior avanço. A movimentação está mais ágil e responsiva, com transições suaves entre corrida, salto e interação com o cenário. Pequenos ajustes na física tornam as sequências de perseguição mais precisas, reduzindo a sensação de rigidez que por vezes marcava projetos anteriores do estúdio.

A primeira hora ainda aposta fortemente em furtividade e fuga, com trechos lineares e padrões de perseguição que remetem diretamente à fórmula já conhecida. No entanto, à medida que a campanha progride, novas mecânicas são introduzidas de forma gradual. A utilização de diferentes tipos de veículos amplia as possibilidades de deslocamento e adiciona variações de ritmo bem-vindas. Já o sistema de combate corpo a corpo, embora simples, funciona como complemento estratégico em momentos específicos, evitando que a experiência se limite exclusivamente à evasão.

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Perseguidores retornam ainda mais implacáveis (Imagem: Reprodução)

A presença constante de um parceiro também altera a dinâmica. Seja controlado pela inteligência artificial ou por outro jogador, localmente ou online, o segundo personagem participa ativamente da resolução de puzzles e de situações de risco. A IA se mostra funcional na maior parte do tempo, sem comprometer a progressão, ainda que não apresente comportamentos sofisticados. Em cooperação real, o design ganha força, especialmente em trechos que exigem coordenação sob pressão.

Em termos de conteúdo, há um número maior de segredos e colecionáveis quando comparado a produções anteriores do estúdio. Cosméticos e artes conceituais desbloqueáveis incentivam a exploração, mesmo dentro de uma estrutura ainda bastante linear. A campanha principal pode ser concluída em cerca de seis a sete horas, mantendo ritmo consistente e evitando excessos.

Visualmente, REANIMAL opta por uma direção de arte menos estilizada e mais fria. A iluminação tem papel central na construção da tensão, com áreas mergulhadas em sombras densas e contrastes que destacam silhuetas ameaçadoras à distância. A composição de cena continua sendo um dos pontos altos do estúdio, com enquadramentos que reforçam a vulnerabilidade dos protagonistas.

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Mais NPCS nos seguindo fornecem um ar de novidade e risco na jornada (Imagem: Reprodução)

Na versão analisada para Nintendo Switch 2, o desempenho se mantém estável na maior parte do tempo. Em modo qualidade, jogando no portátil, foram perceptíveis leves quedas de quadros em segmentos com grande presença de água ou múltiplos elementos na tela, mas nada que comprometa significativamente a experiência. REANIMAL não busca realismo técnico extremo, mas entrega consistência visual adequada ao escopo da proposta.

No campo sonoro, a ambientação é construída com trilha discreta e uso eficiente de silêncio. Ruídos ambientais, passos ecoando em estruturas vazias e sons distantes contribuem para a sensação de ameaça constante. A dublagem em português do Brasil, presente nos diálogos entre os protagonistas, adiciona camada extra de imersão e ajuda a reforçar a conexão emocional entre os personagens.

Ainda que não revolucione a fórmula, REANIMAL demonstra evolução técnica e estrutural, ampliando a variedade de situações sem abandonar a essência de tensão e vulnerabilidade que caracteriza o estúdio.

Vale a pena jogar REANIMAL?

REANIMAL representa um passo de amadurecimento para a Tarsier Studios. Embora a primeira parte da campanha soe excessivamente familiar para quem já acompanhou os trabalhos anteriores do estúdio, a experiência cresce de forma consistente ao introduzir novas mecânicas, ampliar o papel da cooperação e investir em uma ambientação mais crua e direta.

A maior virtude do título está justamente nesse equilíbrio entre identidade e evolução. A tensão continua sendo o eixo central da experiência, mas agora sustentada por controles mais refinados, maior variedade de situações e um sistema cooperativo que funciona tanto com IA quanto com outro jogador. Por outro lado, a linearidade estrutural permanece evidente, e o combate, apesar de funcional, não assume protagonismo suficiente para transformar radicalmente a fórmula.

Narrativamente, REANIMAL mantém sua proposta fragmentada, mas adiciona diálogos e contextualização que tornam a jornada mais acessível sem perder o caráter sombrio. O impacto emocional depende menos de grandes reviravoltas e mais da construção gradual de atmosfera, culminando em momentos de intensidade que reforçam o tom brutal adotado pela obra.

No fim, REANIMAL não reinventa o gênero, mas consolida a experiência da desenvolvedora dentro dele. Para fãs de aventuras 2.5D focadas em tensão, horror visual e cooperação, há aqui uma evolução perceptível e consistente. Já para quem esperava uma ruptura mais ousada com o passado, a sensação pode ser de refinamento, e não de transformação.

Em resumo, vale a pena para quem aprecia a proposta do estúdio e busca uma experiência intensa, compacta e atmosférica, agora com mais ferramentas para sustentar sua própria identidade.

REANIMAL tem lançamento previsto para 13 de fevereiro com versões para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, via Steam.

*Review elaborada em um Nintendo Switch 2 com código fornecido pela THQ Nordic.

REANIMAL

BRL 229,90
8.5

História

8.5/10

Gráficos e Sons

8.8/10

Gameplay

8.7/10

Extras

8.0/10

Prós

  • Controles mais ágeis e responsivos, com evolução clara em relação a trabalhos anteriores do estúdio
  • Cooperação bem integrada, funcionando tanto com IA quanto com segundo jogador local ou online
  • Direção de arte consistente e composição de cenas que reforçam tensão e vulnerabilidade
  • Ambientação sonora eficiente, com uso inteligente de silêncio e boa dublagem em português do Brasil
  • Introdução gradual de novas mecânicas, como veículos e combate corpo a corpo, ampliando a variedade da experiência

Contras

  • Primeira hora excessivamente familiar, com ritmo inicial que pode não prender de imediato