Resident Evil Requiem | Review

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Seja bem-vindo de volta ao mundo do survival horror! Cinco anos depois do último título que dá sequência à história principal, a CAPCOM traz o novo Resident Evil Requiem como parte da celebração de 30 anos da franquia Resident Evil.

Atenção: Esta review do Pizza Fria contém cenas de gore e violência explícitas!

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História

Resident Evil Requiem traz uma nova protagonista, Grace Ashcroft, analista do FBI e filha da veterana Alyssa Ashcroft, introduzida em Resident Evil: Outbreak, que retorna com um mistério, escondido no Hotel Wrenwood, onde Grace é enviada para investigar mortes suspeitas no local de sobreviventes de Raccoon City e, inevitavelmente, enfrentar o seu próprio passado.

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Grace Ashcroft, a nova protagonista. (Imagem: Reprodução)

A missão de Grace se entrelaça com a do agente lendário Leon Scott Kennedy ao chegarem no Rhodes Hill Chronic Care Center, onde ele investiga mortes misteriosas no centro de tratamento, e também busca entender a Síndrome de Raccoon City, uma nova doença que acomete sobreviventes do incidente de 1998.

Victor Gideon, um antigo pesquisador da Umbrella Corporation, é o mau-encarado da vez em Resident Evil Requiem. Ele é o responsável pelo Rhodes Hill Chronic Care Center, e conta a Grace que ela é o segredo para alcançarem o Elpis. E, cabe a nós, jogadores e personagens, descobrirmos o que diabos é esse tal de Elpis.

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Victor Gideon, nosso mal encarado da vez. (Imagem: Reprodução)

Essa é a sinopse do jogo, e é na busca desse mistério que se passa o título em comemoração aos 30 anos da franquia Resident Evil. Portanto, espere revisitar o passado em uma trama que traz elementos de títulos anteriores e os cenários ajudam a contar a história. 

O jogo traz questões levantadas nos títulos anteriores, Resident Evil 7 e Resident Evil Village, responde algumas delas mas ainda deixa outras em aberto. E mais, traz novas questões sem respostas para um enredo que precisa de menos pontas abertas, e mais fechadas. Grande parte da história também está presente nos clássicos files, portanto, não deixe de conferir os cantinhos em busca dos documentos.

A Síndrome de Raccoon City, que acomete Leon e supostamente também afeta todos os sobreviventes da cidade, é um dos exemplos de pontas soltas que são mal aproveitadas em um roteiro que tenta reunir tudo de uma vez. Também não há uma explicação clara do motivo específico de Leon Kennedy ser um dos protagonistas, já que toda a trama poderia ser contada por qualquer um dos veteranos clássicos da franquia – alguns, inclusive, com mais de uma década sem um novo jogo na saga principal.

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O veterano favorito da galera está de volta. (Imagem: Reprodução)

Grace Ashcroft, por sua vez, merecia estar menos atrelada ao plot nostálgico e mais em uma nova história que elevasse o potencial da personagem a um novo patamar, que realmente colocasse ela como uma nova face contra o bioterrorismo. A sua busca por justiça é louvável e ela carrega elementos sensíveis que nos fazem criar um carinho e senso de proteção pela personagem, mas a história que a leva aos eventos do jogo não parece querer colocá-la na linha de frente dos protagonistas recorrentes da franquia.

Inclusive, para os que já acompanham a saga, espere por alguns retcons importantes que recontam a história para encaixar a trama de Resident Evil Requiem na lore da série e validar o nosso retorno para a lendária cidade. É claro que, em um lançamento que celebra os 30 anos da franquia, é de se esperar que Raccoon City esteja presente de alguma forma. E, apesar de emocionante, é importante questionar se era realmente necessário dobrar a história da forma que Resident Evil Requiem faz para chegarmos até ali. 

Além dos personagens anteriormente apresentados, os demais que surgem na trama são mal aproveitados e o potencial de permanência na série é perdido, com nomes que aparecem e desaparecem quase na mesma velocidade e não surtem o impacto necessário e, por vezes, alguns são ofuscados por outros. Isso quando ao menos surgem; alguns outros nomes igualmente importantes passam completamente em branco.

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Precisávamos mesmo voltar à Raccoon City? As motivações eram boas o suficientes? (Imagem: Reprodução)

E a dose do fanservice está altíssima, especialmente ao chegarmos na cidade onde tudo começou. Não só com elementos da própria franquia Resident Evil; a CAPCOM também faz acenos a outras franquias que mudaram o curso dos jogos durante os últimos anos.

Além disso, esse é mais um Resident Evil centrado na busca incessante por uma “pessoa especial que vai trazer todas as respostas”, e pouco se expande ou inova nessa premissa. Apesar de Requiem subverter em alguns pouquíssimos momentos a expectativa do jogador na trama, os plot twists também não são tão reveladores como deveriam realmente ser. Para um marco tão significativo, a trama de Resident Evil Requiem poderia (e deveria) ter ousado mais.

Gameplay

Parece que a CAPCOM finalmente encontrou o equilíbrio saudável entre o puro survival horror e momentos de ação que tanto buscou.

Apesar de já ser pré-estabelecido que Grace tem os momentos mais focados no horror e Leon fica encarregado da ação, não é uma gameplay que muda da água para o vinho. Pelo contrário: a troca de cenários é suave e as mudanças não são tão bruscas quanto parecem. Apesar de veterano e acostumado com a luta contra o bioterrorismo, Leon está lidando com a Síndrome de Raccoon City durante todo o jogo, o que torna o personagem mais vulnerável em situações de combate. 

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Até as salas de save clássicas estão de volta. (Imagem: Reprodução)

Enquanto isso, Grace, apesar de começar como uma agente com pouca experiência em campo, ao longo da jogatina é tomada pela coragem de fazer diferente e mudar o que está ao seu alcance, refletindo na sua melhoria em armamentos e combate. O sistema de crafting apresentado na campanha da agente é o melhor da franquia até agora, sendo bem projetado, intuitivo e recompensador.

Os momentos de survival horror são incrivelmente assustadores na medida certa, deixando o jogador sempre em alerta, esperando pelo próximo perigo – que pode estar por perto ou não. A exploração, especialmente no Rhodes Hill Chronic Care Center, é uma carta de amor ao clássico Resident Evil 1, onde um lugar nem sempre leva ao outro de cara, trazendo de volta o backtracking que se tornou característica da série para chegarmos aos objetivos principais. Os puzzles, apesar de não serem muitos, são satisfatórios, acertando em cheio no coração de quem gosta de um desafio.

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Será que alguém pode livrar a pobre Grace de tanto sofrimento? (Imagem: Reprodução)

E, é claro, espere muito tiro, porrada e bomba com o nosso protagonista sênior. A ação em Resident Evil Requiem não chega a ser desenfreada como a no famigerado Resident Evil 6, mas também faz o suficiente para agradar quem gosta. A adição de elementos como o parry (sim, parry) adicionam uma camada extra de desafio, especialmente nas dificuldades mais altas em que ela é crucial para manter-se vivo. Seria então Resident Evil Requiem um souls-like? Não, mas com certeza a experiência adquirida aqui deve servir nos jogos da From Software.

A curva de aprendizado é suave e não pune exageradamente o jogador que se mantém nas dificuldades padrão e clássica, permitindo que a experiência seja desafiadora, mas nunca desagradável. É claro que aqueles que decidirem se aventurar no modo insano já devem estar mais preparados, pois esse sim é impiedoso. 

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Com o Leon, a ação é garantida! (Imagem: Reprodução)

Mas até no modo mais difícil é bastante satisfatório passar pelos desafios particularmente elevados, com a sensação de dever cumprido ao chegar no final de uma jornada tão difícil. Do casual ao hardcore, Resident Evil Requiem tem uma gameplay que acerta em diversas pontas.

Gráficos e Performance

A RE Engine é a decisão mais acertada da CAPCOM nos últimos anos. 

Pense em um jogo bonito. Pensou? Resident Evil Requiem é mais bonito. Cenários, personagens, itens e inimigos todos tiveram o mesmo nível de cuidado para serem incrivelmente reais. Grace e Leon são impressionantes, é difícil acreditar que não existem na vida real; o Rhodes Hill Chronic Care Center e Raccon City são mapas detalhados e com muito para se ver e apreciar a vista. 

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Um dos jogos mais lindos já feitos! (Imagem: Reprodução)

Aqui, temos a oportunidade de visitarmos cenários diurnos e noturnos, e a RE Engine brilhou em ambas as situações. E o que mais impressiona é como a CAPCOM conseguiu colocar um jogo com cenários e elementos tão bem detalhados em um arquivo de 75GB. Em uma geração onde a otimização dos jogos é deixada de escanteio e os arquivos são cada vez maiores, é de se admirar quando um estúdio se preocupa em oferecer uma experiência agradável de sistema também.

No PC, até mesmo as máquinas dos requisitos mínimos devem conseguir aproveitar o jogo sem grandes dificuldades, já que o título é realmente bem otimizado e ainda conta com tecnologias que ajudam no desempenho, como o DLSS e geração de quadros da NVIDIA.

Resident Evil Requiem é o primeiro jogo da franquia a utilizar o Path Tracing, que é a reconstrução ainda mais realista de luzes, sombras e reflexos. No entanto, é importante ressaltar que o uso da tecnologia está obrigatoriamente atrelado ao DLSS ativado, o que ajuda a ter uma experiência mais fluida com o Path Tracing, que exige bastante do hardware. 

Então, no geral, o jogo roda bem, mesmo para quem vai apostar nas configurações mais altas. O menu de configuração também é bastante personalizável e permite configurações que se ajustam melhor ao seu hardware, além das predefinições e um ajuste automático com base em uma análise da sua máquina.

Abaixo, seguem algumas comparações entre resoluções, configurações e performance.

Sons e Extras

A trilha sonora de Resident Evil Requiem é um dos pontos altos do jogo, com temas marcantes e que ajudam a criar a ambientação dos cenários, além de auxiliar no tom da narrativa perfeitamente. Um trabalho fantástico a ser apreciado em todos os momentos do jogo, inclusive com remixes clássicos que emocionam.

Os desafios retornam em Resident Evil Requiem, que oferecem como recompensas novas roupas para os personagens, munição infinita, machados e facas mais resistentes e, se estiver na Edição Deluxe, é possível até mudar a trilha sonora para temas clássicos da franquia. Alguns desses desafios exigem que o jogador complete o jogo em uma determinada janela de tempo, não utilize itens de cura, entre outros.

Nos primeiros dias de lançamento, a internet se mobilizou para resolver O Desafio Final, um puzzle que não oferecia instruções claras de como deveria ser concluído. Tudo isso aumenta o fator replay do título, que ainda tem muitos easter eggs para serem desvendados, e certamente não é possível ver tudo em apenas uma jogatina.

Por último e não menos importante, Resident Evil Requiem conta com localização e dublagens belíssimas para o nosso português brasileiro. Vale a pena jogar no nosso idioma com atenção para ler e ouvir um texto muito bem traduzido, com ótimas referências à nossa cultura pop!

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Cuidado para não estourar os créditos! (Imagem: Reprodução)

Vale a pena jogar Resident Evil Requiem?

Apesar dos retcons e algumas brechas na história, Resident Evil Requiem não tropeça ao oferecer a melhor experiência Resident Evil dos últimos anos, dentre as histórias originais numeradas. O título oferece de tudo, desde um survival horror sólido e assustador até a ação na medida certa e com breves pitadas de loucura que vão garantir, no mínimo, boas risadas. E, mesmo com tantos elementos, ainda é possível reconhecer a franquia da qual esse jogo faz parte.

A gameplay é refinada, divertida e desafiadora na medida ideal, que vai agradar novatos e veteranos da série, com fatores clássicos de Resident Evil presentes como o backtracking, resolução de puzzles e um fator replay altíssimo.

Resident Evil Requiem é uma ótima forma de celebrar os 30 anos da franquia, apesar de deixar uma pulga atrás da orelha de como serão os próximos jogos da série principal após esse. Mas, ainda assim, não é motivo o suficiente para não aproveitar o grande jogo desenvolvido aqui.

É um jogo indispensável de se ter na biblioteca.

Resident Evil Requiem já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC, via Steam, Epic Games Store e GeForce NOW, além de Nintendo Switch 2.

*Review elaborada em um PC equipado com uma GeForce RTX 5090, com código fornecido pela Capcom.

Resident Evil Requiem

BRL 299
8.9

História

7.0/10

Gameplay

9.0/10

Gráficos

10.0/10

Sons e Extras

9.5/10

Prós

  • Uma das melhores gameplays da franquia
  • Ótima mescla entre survival horror e ação
  • Gráficos de tirar o fôlego e performance impressionante
  • Localização e dublagem para PT-BR maravilhosas

Contras

  • História poderia ser algo mais
  • Precisávamos de tantos retcons?

Flávia "peachblues"

A publicidade a escolheu, mas ela não escolheu a publicidade. Preferiu os jogos, principalmente aqueles que enchem os olhos e divertem por horas a fio. Gosta muito de piadinhas que ninguém entende e é uma das poucas donas de um PS Vita no Brasil, de acordo com as próprias estatísticas. Atualmente joga no que as pessoas ao seu redor chamam de "PC da NASA" mas nenhum foguete foi lançado do seu quintal até o momento.